Memórias do rock
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sábado, 09 de fevereiro de 2013
Nelson Sato<BR>Reportagem Local 
Um dos primeiros festivais de rock realizados ao ar livre no Brasil aconteceu no Norte do Paraná. Foi na vizinha Cambé, com presença dos Mutantes, principal nome do rock nacional na época. O evento, batizado ``Colher de Chá´´, comemora 40 anos neste domingo.
Sua estrutura foi montada no Clube Recreativo Cascata, localizado na área rural da cidade. O campo de futebol da chácara recebeu barracas de mochileiros da Argentina, Paraguai e de várias regiões do País. O público foi estimado em cerca de 5 mil pessoas.
Bandeiras pintadas com signos do zodíaco demarcavam a área destinada à plateia. Quem chegava se encaminhava para seu signo correspondente. Além dos Mutantes, outras duas atrações de peso participaram do festival: a banda Joelho de Porco e Tony Osanah, guitarrista dos Beat Boys, grupo argentino que acompanhou Caetano Veloso na música ``Alegria Alegria´´ no festival da Record em 1967.
Durante anos, o dia 10 de fevereiro de 1973 foi lembrado como uma data mágica o dia em que se concretizou o sonho de fazer um ``Woodstock´´ no Brasil (alusão ao célebre festival realizado em 1969 nos Estados Unidos que virou símbolo do movimento hippie e da contracultura). A equipe de produção ficou instalada numa casa na própria chácara. O cartaz anunciava a presença de 15 atrações, mas muitas não puderam se apresentar, enquanto outras sequer deram as caras.
Não houve pagamento de cachês, apenas ajuda de custos de hotel, transporte e alimentação para os músicos. ``Mudaram a programação na última hora e alguns artistas e bandas ficaram de fora. O Itamar Assumpção foi um deles´´, lembra o radialista e produtor Paulão Rock N´ Roll´, 61 anos, que cuidou da montagem de palco e negociou a vinda dos Mutantes.
``Os organizadores me pediram para indicar uma banda e eu recomendei os Mutantes já que tivera alguns contatos com o Arnaldo Baptista em minhas viagens a São Paulo para compra de discos ´´, conta. Paulão foi atrás dos paulistanos em companhia de Wilson Vidotto e Cláudio Coimbra, ambos da organização do festival. ``Chegamos na casa do Arnaldo e em dois dias resolvemos tudo. Depois ficamos uma semana zanzando pra lá e pra cá. Ele era muito louco´´, conta.
Na ocasião, Rita Lee já havia saído do grupo para formar o duo Cilibrinas do Éden com Lúcia Turnbull. Com a formação de quarteto, os Mutantes desembarcaram em Londrina trazendo o repertório dos álbuns ``Mutantes no país dos Baurets´´ e o póstumo ``O A e o Z´´, que revelavam a guinada sonora da banda. Influenciados pelo rock progressivo inglês em ascensão na época, eles abandonavam o humor e as misturas tropicalistas de ritmos para adotar longos improvisos instrumentais.
O festival foi oficialmente inaugurado às 10h30 da manhã daquele domingo com solos de guitarra de Tony Osanah, aos quais seguiram-se atrações como a banda local Os Bárbaros, a catarinense Banana Tree, a curitibana A Semente e os paulistanos do Tropa Santa. Os Mutantes subiram ao palco às 18h30, revezando-se até a madrugada de segunda-feira com Osanah e o Joelho de Porco até a chuva interromper a maratona de shows que entrou para história do rock brasileiro.
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- Festival é citado em biografia dos Mutantes


