As passeatas pela volta da ditadura militar são a face constrangedora do atual momento político vivido pelo País. Movidos por ideologia ou desinformação, seus adeptos tem sido – providencialmente - rechaçados na guerra pela conquista da opinião pública.
O documentário "Memórias que não silenciam", da jornalista Andreza Pandulfo,
traz mais argumentos para combater as manifestações golpistas recentes. Será exibido hoje, amanhã e nos dias 21 e 22 de novembro, sempre às 20h, gratuitamente, no Centro Cultural Sesi (Praça 1º de Maio, 130, em frente à Concha Acústica), em Londrina.
O filme revela-se um precioso material de pesquisa para quem deseja conhecer mais detalhes sobre os anos de chumbo, particularmente os reflexos nefastos do regime autoritário sobre a produção cultural. O foco é a censura sobre o Festival Universitário de Londrina, embrião do Filo (Festival Internacional de Londrina), entre os anos 60 e 70.
"O documentário é um complemento de minha monografia de conclusão de curso (TCC) na UEL", conta Andreza, que formou-se em Jornalismo no ano passado. A pesquisa contou com orientação da professora Márcia Neme Buzalaf. "Existe pouco material teórico sobre o assunto. Decidi então entrevistar personagens que viveram aquele período e participaram do movimento cultural da cidade", salienta.
Tanto o trabalho acadêmico quanto o filme contêm depoimentos de Alcides Carvalho, Apolo Theodoro, Darwin Rodrigues, Délio César, Domingos Pellegrini, Elza Correia, Marcio Almeida e Nitis Jacon. O documentário foi acrescido com participações de Mira Roxo, Ísis Almeida, Bernardo Trindade Filho e Firmino da Silva.
A nova rodada de conversas foi viabilizada após o filme obter aprovação e recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). "Todas as entrevistas são especiais e contribuíram para o projeto", salienta ela. "Mas um depoimento da Nitis, que também foi ressaltado por outros dois entrevistados, trouxe uma informação que eu desconhecia sobre uma montagem proibida da peça 'Calabar', de Chico Buarque e Ruy Guerra, apresentada em 1979 no Teatro Ouro Verde durante um congresso de estudantes na 12ª edição do Festival Universitário. Ela lembrou que a apresentação era permitida somente aos congressistas, a portas fechadas, e sem divulgação".
No dia, porém, a produção distribuiu ingressos para o público. "Só após todos entrarem, as portas foram fechadas. Nitis fala que foi a única apresentação da peça com o texto original, sem censura, no Brasil naquela época." A peça foi encenada pelo Grupo Proteu, do qual Nitis era diretora.
Para as filmagens e pós-produção do documentário, Andreza teve a colaboração de Leticia Nakadomari e Juliana Obara. Após as sessões no Centro Cultural Sesi, o filme será exibido em cinco escolas públicas de diferentes bairros de Londrina. "A ideia é mostrá-lo para estudantes de ensino médio, que estudaram o tema ao longo do ano", assinala a diretora. Na sequência, o filme ganhará cópias em DVD e será distribuído para bibliotecas, instituições de ensino e vilas culturais.

Serviço:
Documentário "Memórias que não silenciam" de Andreza Pandulfo
Quando - Hoje, amanhã e dias 21 e 22 de novembro, sempre às 20h
Onde - Centro Cultural Sesi/ AML (Praça Primeiro de Maio, 130, em frente à Concha Acústica), em Londrina
Quanto - Gratuito
Informações - (43)3322-3231

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