Memórias de um aventureiro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de junho de 1997
Agência Estado e Reuters Paris 
O oceanógrafo francês Jacques-Yves Cousteau revelou seus segredos para a felicidade, relatou lições de vida e fez advertências sobre riscos ambientais em suas memórias, que chegarão às livrarias hoje, seis dias depois que ele morreu de um ataque do coração.
Cousteau escreveu a obra de 400 páginas O Homem, o Polvo e a Orquídea num período de 20 anos, e somente a completou pouco antes de morrer na quarta-feira, aos 87 anos de idade.
Francine Cousteau disse que seu marido - o homem que mostrou ao mundo que as profundezas do oceano eram um universo de cor e fantasia - deixou suas memórias como seu testamento.
Trazer uma criança ao mundo, escrever um livro, montar uma máquina, construir uma cadeira - aqueles que criam têm a sensação de que representam um papel maior que si próprios, Cousteau escreveu no capítulo intitulado Felicidade.
Aqueles que não se esforçam para criar, que não desejam dar uma parte de si mesmo para criar uma nova entidade, vão tentar em vão por outros meios tornarem-se algo, mas eles não serão nada, escreveu.
Sobre a auto-realização, Cousteau disse: É preciso generosidade para descobrir a totalidade através dos outros; se você perceber que é apenas um violino, pode abrir-se para o mundo tocando a sua parte no concerto.
As passagens mais apaixonantes advertem sobre a devastação do planeta pela energia nuclear, a destruição da camada de ozônio, a superpopulação, a produção de armas e o reinado do dinheiro.
É absurdo e até perigoso para aqueles que vivem na prosperidade acreditar que a economia global é um ciclo e que suas riquezas irão circular para sempre.
Recursos não renováveis estão sendo esgotados; o desperdício está imperando; produtos valiosos desaparecem enquanto o lixo inútil viceja, escreveu o oceanógrafo.
Precisamos também urgentemente encontrar uma solução para a explosão demográfica que tem uma influência direta no empobrecimento da maioria das comunidades menos privilegiadas.
IrresponsabilidadeCousteau, um defensor do meio ambiente durante toda sua vida, acusou os líderes mundiais de irresponsabilidade e uma obsessão com o dinheiro em detrimento de um meio ambiente limpo e saudável.
Eles embolsam benefícios sem olhar para o futuro e assinam cheques que nossos descendentes pagarão nos séculos que estão por vir, escreveu.
Com seus pesticidas e sua poluição, seus dejetos químicos contendo toxinas que trazem a certeza da destruição mútua...como em Bhopal na Índia, Three Mile Island, nos Estados Unidos, e Chernobyl na União Soviética - com todos seus erros sinistros, nossos cientistas têm escondido de nós a dura realidade: eles simplemente determinam se nós e nossas crianças vamos viver ou morrer, escreveu Cousteau em suas memórias.


