Memórias de José Gonçalves
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de agosto de 2009
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Uma curiosa coincidência aconteceu na carreira do arquiteto londrinense José Gonçalves. Quando era pequeno, apesar de conviver com os emblemáticos retalhos coloridos da avó, que costurava, e ver os desenhos realistas do irmão, encarar a arte como profissão nunca tinha passado pelos seus planos. Ser artista ou pintor, naquela época, não era algo ''bem-visto'' pela sociedade. ''Eu não sabia que dava para viver disso'', brinca. Anos mais tarde, já formado em Arquitetura, ele começou a pintar. Em sua primeira exposição vendeu quase todos os quadros. O reconhecimento imediato fez com que Gonçalves mudasse os seus conceitos. Hoje se considera, com orgulho, artista plástico.
Com o passar do tempo foi a arquitetura que acabou ficando em segundo plano para o artista, que atualmente se dedica em tempo integral às artes plásticas. Quadros assinados por ele integram uma exposição inédita que pode ser vista a partir de quarta, na Zilda Fratelli Galeria de Arte, em Curitiba. Intitulada ''Aflorando Memórias''. As 30 obras que ele apresenta fazem um recorte da sua trajetória profissional e pessoal. Nelas, formas abstratas e figurativas dialogam em meio a matérias-primas diversificadas.
''Acredito que a utilização de materiais variados é uma forma de conseguir mais relevo, de criar um efeito em terceira dimensão e dar vida à obra'', diz Gonçalves. Desde cedo, ele conviveu com diversas influências artísticas, mostradas pelo pai, um apaixonado por livros da área. Quando chegou a hora de decidir por um curso superior, escolheu Arquitetura por acreditar que a profissão estava bem próxima da arte.
Formou-se em 1987, pela Universidade Estadual de Londrina e quatro anos mais tarde começou a testar as primeiras pinceladas. Quando foi buscar, pela primeira vez, um lugar para expor, ouviu da responsável por uma galeria sobre a realização do Salão de Artes do Banestado. Gonçalves acabou sendo premiado no salão, o que abriu as portas para o mundo artístico.
Desde então, ele já expôs em Boston, São Franciso, New York e na Itália, e pretende ampliar ainda mais o horizonte com a mostra ''Aflorando Memórias''. Nos quadros recentes, ele utiliza desde tinta acrílica até madeira e colagens. A impressão de que cada quadro traz duas imagens sobrepostas não é por acaso. Gonçalves começou a série em preto e branco. ''Mas depois decidi introduzir novas cores. As telas ganharam uma nova perspectiva, uma ambiguidade'', define, complementando que não consegue dissociar seu trabalho do seu próprio estado de espírito. ''E meu próprio estado de espírito mudou enquanto eu fazia as telas. Foi do preto e branco para o colorido'', compara.
As peças trazem ainda inserções de tecidos antigos, colagens de rendas, papeis texturizados e outros elementos. ''Quando estou trabalhando é uma explosão de memórias, as sensações de criança vem à tona e a obra vai sendo moldada com essas imagens'', diz.
Com ateliê em Londrina, mas sempre viajando pelos mais variados destinos, Gonçalves tenta dividir sua rotina para que consiga trabalhar todas as manhãs, que é quando se sente mais disposto. Ao analisar o cenário das artes plásticas brasileiro diz que hoje não tem receio de viver apenas de sua arte, bem diferente do que ouvia quando era criança. Seguro com sua trajetória, ele é categório ao afirmar: ''Acho que se um artista faz o que gosta e acredita no próprio trabalho, não tem como não dar certo''.
Serviço
- Exposição ''Aflorando Memórias'', de José Gonçalves
Onde- Galeria de Arte Zilda Fraletti, Shopping Design Center (Av Batel, 1.750).
Quando: - De 26 de agosto a 19 de setembro
Horário- Segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, das 10 às 14 horas.
Mais informações- (41) 3026 5999


