MEMÓRIAS - Livro de Mauro Rasi é lançado no Rio
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terça-feira, 22 de julho de 2003
Ubiratan Brasil<br> Agência Estado 
O escritor e dramaturgo Mauro Rasi pretendia reunir em livro algumas das crônicas que publicava às segundas-feiras no jornal ''O Globo''. Passou anos ensaiando a seleção até que finalmente começou, com o auxílio da amiga e jornalista Anna Accioly. Não conseguiu, porém, ver o trabalho terminado: no dia 22 de abril, aos 54 anos, Rasi morreu em sua casa, no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro.
Anna manteve o projeto, que resultou no livro ''Eu, Minhas Tias, Meus Gatos e Meu Cachorro'' (256 páginas, R$ 29), recentemente editado pela Ediouro. O lançamento acontece hoje à noite, no hotel Copacabana Palace, no Rio, onde a atriz Cláudia Netto vai cantar algumas canções inéditas preparadas por Rasi para o musical ''Ladies na Madrugada''. Está confirmada também a presença dos atores Miguel Falabella, Guilherme Piva e Cláudia Gimenez, entre outros, que vão ler algumas crônicas do dramaturgo.
Dois dias depois, o livro será lançado em Bauru, no interior paulista, onde Rasi nasceu. Na sexta-feira, o evento ocorre na Universidade do Sagrado Coração, às 20 horas, quando uma placa será descerrada, oficializando a troca do nome do Teatro Veritas para Teatro Mauro Rasi.
Rasi conseguiu a façanha de, com suas peças, agradar tanto ao público como a crítica. ''Pérola'', por exemplo, estreada em 1994 e em que reconstrói a vida de um núcleo familiar do interior paulista (inspirada em sua própria família), ficou quatro anos em cartaz, atraindo mais de 360 mil pessoas e faturando 11 prêmios teatrais.
As crônicas de ''Eu, Minhas Tias, Meus Gatos e Meu Cachorro'' foram ordenadas cronologicamente, com textos de janeiro de 1996 a novembro de 2002. Revelam uma mordacidade própria, em que Rasi expõe seu universo pessoal da mesma forma com que fazia nas peças de teatro.
O livro foi dividido em três partes. Na primeira, ''Mauro por Mauro'', ele traça um perfil de si mesmo, apontando qualidades e defeitos, a partir principalmente de seu relacionamento com as tias. Em ''Pisando em Ovos'', por exemplo, Rasi conta a surpresa com que elas descobriram os palavrões que ele utilizou em uma crônica anterior. ''Minhas tias ficaram a-po-plé-ti-cas!!'', afirma. ''Mais até do que quando o príncipe Charles disse que queria ser o absorvente íntimo de sua amante.''
Na segunda parte, ''As Mulheres da Minha Vida'', figuram crônicas em que Rasi trata especialmente de familiares, como a mãe, a avó e as tias. A última parte, ''Mauro e etc.'', reúne textos sobre temas mais gerais.
Quando escreveu os primeiros textos, Rasi ainda não estava acostumado ao grande volume de cartas de leitores que passaria a receber, a maioria confessando uma cumplicidade com suas opiniões. Ao dosar na medida certa reminiscências familiares com assuntos do dia, ele conseguiu se transformar em um dos colunistas mais lidos do jornal.
O segredo é revelado no prefácio que deixou escrito: ''Uma coluna é como uma festa: a mistura é fundamental. Tem que saber dosar informação com elogios, poucos, de preferência; alguma maldade, muita ironia, um pouco de bom senso (muito pouco) e um caldeirão de futilidades e segredos, mesmo que não verdadeiros.''


