Memória viva
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Márcio Maio<br>TV Press 
Resgatar a memória da tevê é a missão do Viva desde sua estreia, em 18 de maio de 2010. Por isso mesmo, não chega a ser surpresa que, nos seus poucos horários de produção própria o Viva utiliza, na maior parte de sua grade, o acervo de programas e folhetins da Globo , o canal por assinatura opte por "reviver" o passado. Como na série "Damas da TV", com depoimentos de 23 atrizes que marcaram a teledramaturgia principalmente a da Globo desde que as telenovelas passaram a ser exibidas diariamente.
"São mulheres que atuaram permanentemente, tornando-se parte do patrimônio artístico e cultural do Brasil", valoriza Hermes Frederico, idealizador e produtor do projeto, que estreia no próximo dia 28, quarta-feira, às 21 horas.
O gancho para a homenagem a atrizes como Ana Rosa, Aracy Balabanian, Betty Faria, Débora Duarte, Eva Wilma, Glória Menezes, Irene Ravache, Laura Cardoso, Regina Duarte, Rosamaria Murtinho, Ruth de Souza e Susana Vieira é o aniversário de 50 anos da telenovela diária no Brasil, comemorado em 22 de julho de 1963. Neste dia, estreava na extinta TV Excelsior "2-5499 Ocupado", protagonizada por Glória Menezes, escolhida para inaugurar a série do Viva. "A gente gravava quando a emissora saía do ar, à meia-noite. Trabalhávamos até umas sete, oito horas da manhã. Tudo acontecia durante a madrugada porque precisávamos usar as câmeras e o espaço da Excelsior", lembra a atriz.
Os depoimentos se baseiam na memória profissional e afetiva que cada uma das atrizes tem de sua carreira. Elas falam sobre as técnicas interpretativas e de como a arte de atuar evoluiu nas últimas décadas, citando seus trabalhos mais marcantes e curiosidades de cada época.
As entrevistas são intercaladas com imagens de cenas e fotos de acervo, em formato de documentário biográfico. "Estou bastante curiosa para saber o que será mostrado, porque é um material que saiu da pesquisa deles", diz Irene Ravache.
A ideia é revelar diversas curiosidades de bastidores destas cinco décadas de história da telenovela diária. Mas os depoimentos, volta e meia, passam por períodos anteriores, quando os folhetins ainda eram gravados ao vivo. "Já mandei adoçarem o açúcar no lugar do café. Quando olhei em volta, não tinha um ator para contracenar comigo. Todos estavam na coxia, gargalhando", recorda Rosamaria Murtinho.
Mas nem mesmo a evolução tecnológica conseguiu eliminar supostos deslizes durante gravações de novelas. Rosamaria mesmo, recentemente, cometeu uma gafe durante uma cena de "Amor à Vida", onde interpreta a interesseira Tamara. "Outro dia eu soltei um 'para, Bárbara', para a personagem da Bárbara Paz, que se chama Edith. Ri tanto depois, quando assisti", conta.
Mesmo antes de sua estreia, uma segunda temporada do "Damas da TV" já está nos planos do Viva. Isso porque, segundo Letícia Muhana, outras atrizes também mereciam estar na seleção feita pelo canal e por Hermes Frederico. "Tivemos de fechar com 23 nomes porque esse era o número de episódios que tínhamos", explica Letícia. E a diretora garante que, apesar da lista não contemplar nomes de mulheres contratadas por emissoras concorrentes, nada impede que atrizes da Record, por exemplo, apareçam em uma nova lista do canal da Globosat. "Não existe essa limitação. Mas dificilmente acharemos um nome que não esteja cruzado com o passado da Globo porque a dramaturgia da emissora está em lugar de destaque na história da televisão", analisa.
Serviço:
"Damas da TV" Estreia dia 28 às 21h no Viva


