Alguns dos principais fatos ligados à colonização do Norte do Paraná estarão retratados, a partir de hoje, na Exposição de Fotografias Históricas do Pioneiro Kurt Jakowatz, que fica até o próximo dia 5 no Espaço Cultural do Restaurante Muller Kaffee, em Londrina. São cerca de 50 fotos (algumas delas feitas pelo próprio pioneiro) que retratam as muitas dificuldades enfrentadas pelos primeiros aventureiros e que trazem como cenário, quase sempre, a rica mata nativa da região.
Acervo particularO pioneiro Kurt (à direita) com sua charrete de aluguel. Ao lado, o primeiro visitante recém-chegado da AlemanhaKurt Jakowatz nasceu na Alemanha e veio com a família para o Brasil em 1925. Quatro anos depois aceitava o convite da Companhia de Terras para conhecer uma região rica, porém totalmente agreste. Segundo ele, mesmo sabendo que não encontraria qualquer tipo de conforto, o grupo de viajantes se entusiasmou com o desafio. ‘‘A vida na fazenda em que morávamos, no interior de São Paulo, já se tornava aborrecida, por isso estávamos prontos para aceitar essa boa vida (sic) de ir ao sertão’’, conta o pioneiro, prestes a completar 89 anos.
Kurt veio com a incumbência de demarcar os primeiros lotes. Só para fazer o trajeto entre Ourinhos (SP) e Cambará (Norte Pioneiro), o grupo levou um dia e uma noite, com direito a pernoite na Serra Morena, num pequeno rancho feito com lascas de coqueiro. ‘‘À noite, no meio da selva, percebemos os primeiros índios.’’ Até chegar às terras onde mais tarde seria fundada Londrina, seguiram-se muitas aventuras, como longos trechos em lombo de burro.
Milton DóriaO pioneiro Kurt Jakowatz: memórias de uma época de muito trabalho e aventurasOs detalhes daquela primeira viagem ainda estão frescos na memória do pioneiro. ‘‘...Prosseguimos por uma picada até o primeiro córrego, de nome Quati e atravessamos três quilômetros pelo lugar onde estava o terreno reservado para a futura cidade de Londrina. Ali eu pensei que poderia ser o lote número 1 (chamada depois de Gleba Heimtal). Mais adiante, achei uma mina d’água, lote número 6. Ficamos rodeados de macacos e quatis, no meio da floresta. Assim estavam reservados os primeiros lotes.’’
Para sobreviver na nova região, Kurt Jakowatz fez de tudo. Trabalhou como recepcionista e tradutor do primeiro hotel construído pela Cia. Inglesa, foi auxiliar de topógrafo, derrubou matas, abriu estradas, foi charreteiro, trabalhou com o pai em uma oficina de consertos em geral e fez corretagem de terras. Diz que perdeu a grande oportunidade de sua vida quando, em 1934, a Companhia ofereceu a ele e a Celso Garcia as duas jardineiras para transporte dos visitantes, com a condição de que o comprador as guiasse pessoalmente. Como ele não sabia dirigir, perdeu o negócio.
Além das fotografias registrando fatos como estes, estarão expostos no Muller Kaffee objetos da época, guardados durante anos por Kurt Jakowatz. Tanto as fotos como os objetos estarão à venda pelo pioneiro, que pretende levantar recursos para tratamento de saúde. Depois da exposição, o acervo de Jakowatz será doado para o Museu da Imigração, em São Paulo.

mockup