No dia 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru aportou em Santos (SP) e trouxe mais de 750 pessoas de 165 famílias do Japão. O desembarque daqueles viajantes deu início ao processo de imigração e colonização japonesa no País. Entre as décadas de 20 e 30, diversas famílias de imigrantes vieram para o Paraná. Em 1978, nas comemorações do 70º aniversário da imigração japonesa (Imin 70), foi inaugurado o Museu da Colonização Japonesa no Paraná, em Rolândia, um espaço de preservação da cultura e da memória dos imigrantes.
Mais de duas décadas depois, as festividades do Imin 93 marcam também a reinauguração do museu. Depois de um ano e três meses fechado para obras, a Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná e a Liga Desportiva Cultural Paranaense encerram a reforma do prédio, que será reaberto hoje, às 11 horas. A festa terá a presença de famílias da comunidade nipo-brasileira e várias autoridades.
No ano passado, a Embaixada do Japão liberou uma verba de R$ 130 mil para as reformas. O restante dos recursos necessários para a obra – orçada em R$ 500 mil – foi conseguido junto à comunidade nipo-brasileira no Paraná. ‘‘O Estado tem 73 entidades nipo-brasileiras e todas contribuíram’’, conta Takumi Shimada, presidente da Aliança Cultural.
Com a reforma, o espaço foi ampliado em 400 metros quadrados, totalizando 750 metros quadrados de área interna. O prédio recebeu piso, paredes, telhado, forro, janelas e iluminação novas. A fachada também ganhou outro visual, com linhas em estilo japonês. O acervo, que foi ampliado com doações da comunidade, tem hoje cerca de 800 peças.
Ao entrar no museu, o visitante vai percorrer as diversas fases da colonização japonesa do Paraná. Logo na entrada, um painel em alumínio mostra um mapa do Brasil com as rotas de chegada dos japoneses em Santos. Num passeio pela história, o visitante encontra instrumentos indígenas encontrados na região de Londrina e registros do início da colonização do Norte do Estado; fotos de plantações de café, milho, algodão e as ferramentas e máquinas utilizadas pelos imigrantes na lavoura e na marcenaria.
A fase da imigração é representada pela Casa do Imigrante, ambiente que ilustra como os japoneses viviam na região na década de 30. As casas, lembra Shimada, tinham móveis feitos de palmito, o tradicional oratório, o irori (fogão de chão) e outros utensílios domésticos. Vale lembrar que do lado de fora do prédio está montada uma réplica da Casa do Imigrante, que também era construída com palmito. Em cada cômodo de chão batido, móveis e utensílios da época, como camas com colchão de palha de milho, lampião, ofurô e fogão à lenha.
Em outro ambiente, o museu abriga instrumentos musicais (o shamissen e o kotô, por exemplo, são instrumentos de corda, e o shakohati, de sopro), e objetos antigos como uma vitrola japonesa de 1930, rádios, um projetor de 16 milímetros, máquinas fotográficas, jogos, máscaras, o san san kudô no sacasuki (utensílios do ritual de casamento).
O acervo traz também peças como a vestimenta do Samurai – armadura e espada (katana) utilizadas na guerra, o mikoshi (espécie de andor utilizado em festas) e o altar de sete andares com as bonecas japonesas (feitas para o Hina Matsuri ou Dia das Meninas). O mezanino do museu (com área de 80 metros quadrados) vai abrigar a biblioteca, cujo acervo doado pela comunidade ultrapassa os cinco mil títulos em japonês.
A reforma foi conduzida pela construtora A. Yoshii. Os arquitetos Sônia Kozu e Cláudio Shizuo Furukawa, filhos de imigrantes, ficaram responsáveis pela ambientação do local. ‘‘Utilizamos a referência da cultura japonesa até mesmo na disposição do acervo’’, comenta Furukawa.
Ao redor do prédio, todo reformado, o visitante pode encontrar o jardim japonês; os pés de cerejeiras; o Monumento ao Pioneiro, inaugurado pelo príncipe Akihito e princesa Mitiko durante o Imin 80; a Estátua dos Imigrantes e os monumentos aos Imins 80 e 90.
O Museu da Colonização do Paraná ficará aberto à visitação de quarta-feira a domingo, das 14 às 17 horas. No entanto, visitas fora do horário podem ser agendadas na Aliança Cultural Brasil-Japão pelo telefone (43) 324-6418. Por enquanto, não será cobrada a entrada. O museu está localizado a 500 metros do trevo de saída para Porecatu, em Rolândia, na estrada para o Campinho.

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