Hoje é o último dia para espiar o ''BBB 11''. O vencedor deixa a casa embolsando 1 milhão e meio de reais. Três participantes disputam a fortuna. É provável que os medidores de audiência constatem um aumento no número de televisores sintonizados no reality show da Rede Globo.
O súbito interesse pela final, todavia, não aplaca o fato de que o sinal amarelo já foi acionado nos bastidores da emissora para socorrer a queda paulatina de público desde a estreia da atração em 2002. O que se pergunta é se a fuga dos telespectadores seria um fenômeno pontual, restrito ao BBB, ou poderia ser generalizado a todos os títulos do gênero.
O sucesso da última edição de ''A Fazenda'', da Record, assim como a multiplicação de atrações no formato - tanto na TV aberta quanto em canais fechados - parecem apontar para a primeira hipótese. No Brasil, a onda dos reality shows já completou uma década. Se você é fã desse tipo de programa, dê um pulo até a livraria mais próxima porque acaba de sair o ''Almanaque dos Reality Shows no Brasil'', de autoria da jornalista Karina Trevisan.
Com 168 páginas, o livro lista todos os programas e quadros nessa linha exibidos no País até o ano passado, acrescentando curiosidades e histórias de bastidores. Quem se lembra, por exemplo, que Marisa Orth chegou a comandar a edição de estreia do BBB ao lado de Pedro Bial?
''A atriz não mostrou desenvoltura como apresentadora, e ficou na função apenas na primeira semana'', lembra a autora, acrescentando que para não tirá-la repentinamente do programa, a equipe do diretor Boninho decidiu que ela apareceria às sextas-feiras na televisão da sala para conversar com os participantes.
''A pior gafe foi no dia 2 de fevereiro de 2002, em uma transmissão ao vivo. O líder da semana, Sérgio, deveria indicar um concorrente para o paredão. Ele ainda não havia informado sua decisão quando Marisa anunciou que Caetano era o escolhido'', conta. Produzido originalmente na Holanda, o ''Big Brother'' recebeu versões em 54 países.
A versão brasileira tem destaque no ''Almanaque'' ocupando quase metade das páginas da obra. A autora esmiuça detalhes de todas as edições elencando desde os escolhidos para os paredões, os barracos e as provas de resistência mais difíceis. Também relaciona as BBBs que posaram nuas, os artistas que fizeram shows ou visitas e os participantes que escreveram livros sobre sua passagem pela ''casa mais vigiada do País'' (segundo o célebre bordão do programa).
Não faltam, obviamente, informações sobre o destino tomado pelos vencedores ou por alguns de seus participantes. Ao abordar o BBB 3, escreve: ''Se considerarmos que emplacar uma carreira na TV é o que muitos participantes almejam quando entram no programa, podemos dizer que quem levou mesmo o BBB 3 (vencido por Dhomini) foram Sabrina e Juliana. As duas ficaram tão famosas como apresentadora e atriz, respectivamente, que entraram para a lista dos poucos participantes que perderam o prefixo 'ex-BBB' no nome''.
No caso de Juliana, muita gente que a viu atuando em ''Ti-Ti-Ti'', mal se lembrava de sua passagem pelo Big Brother. De acordo com o Almanaque, o primeiro reality show da história foi ao ar em 1973, exibido pelo canal PBS, nos Estados Unidos. Era a série ''An American Family'' (Uma Família Americana), que mostrava o processo de divórcio de um casal e a descoberta de que um dos filhos era hommossexual.
O formato só foi chegar ao Brasil em 2000 com a estreia de ''No Limite'' na Rede Globo. De lá para cá, uma enchente de ''shows de realidade'' inundou a telinha. A ''Casa dos Artistas'', exibido pelo SBT, foi um dos mais polêmicos. O Almanaque lembra que o programa foi proibido de ir ao ar no dia 7 de setembro de 2004 por ordem de uma ação civil pública.
Motivo: naquele dia, os participantes deveriam escolher e simular sua posição sexual preferida. O reality show da Record, ''A Fazenda'', também tem suas temporadas revistas. A autora cita momentos pitorescos da atração, como Theo Becker falando com a égua Yasmin, com quem ele desabafava e chorava regularmente - algo similiar aos ''diálogos'' de Daniel com um coqueiro no BBB 11.
O Almanaque reúne informações ainda sobre ''Ídolos'', ''Fama'', ''Popstars'', ''O Aprendiz'' e todos os demais títulos que dominaram a programação televisiva nos últimos dez anos.
Serviço

Livro ‘‘Almanaque dos Reality Shows no Brasil’’
Autora - Karina Trevizan
Lançamento - editora
Panda Books
Preço - R$ 27,90

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