Negativos deixados pelo fotógrafo Guilherme Gluck, morto em 1983, estão sendo recuperados pelo MIS
De CuritibaTrinta e seis mil negativos do fotógrafo Guilherme Gluck, do início do século XX, estão sendo restaurados no Museu da Imagem e do Som, em Curitiba. O trabalho começou há dois anos, quando o MIS adquiriu o acervo. A expectativa é de recuperar até 80% das imagens.
Um dos pioneiros da fotografia, no Paraná, Gluck começou a fotografar aos 17 anos, em 1910. Os negativos registram imagens da primeira metade deste século, dos anos 10 até os anos 50. As fotos são de paisagens, famílias, casamentos, velórios, festas públicas e prédios antigos.
Na época, os negativos eram feitos em chapas de vidro e resguardar as imagens fixadas nessas chapas, que têm entre 40 e 80 anos, exige que se evite ao máximo a utilização de produtos químicos.
O trabalho de restauração baseia-se principalmente no álcool etílico, que combate os fungos existentes nas chapas. As unidades que estão quebradas têm suas partes unidas por uma fita adesiva especial. Depois de tratados, os negativos são arquivados em envelopes confeccionados em papel neutro.
Guilherme Gluck nasceu em 1893 em Rio do Poncho (Santa Catarina) e morreu em Ponta Grossa, em 1983. Ainda criança veio com a mãe, uma tia e três irmãs para um sítio próximo à Lapa. Para ajudar a família, trabalhou na lavoura. Mas aos 17 anos conheceu Kolpa, fotógrafo natural de Berlim, que lhe deu as primeiras noções dessa arte, e de quem comprou sua primeira câmara.
Dois anos depois era um profissional no assunto, passando a trabalhar como ambulante. Percorria as regiões de Canoinhas, Três Barras e São Mateus, fotografando famílias inteiras, individual ou coletivamente. Essas viagens levavam de 8 a 15 dias. Quando voltava para entregar o material, fazia novos registros.
Já casado com dona Vanda Zeefeld, fixou-se na Lapa. Construiu seu atelier, uma sala de 28 metros quadrados, com uma parede toda envidraçada. Com o uso de cortinas, ele controlava a entrada da claridade. O gosto pela fotografia o acompanhou por toda a vida, e foi um dos motivos do seu sucesso.
Por muitos anos foi o único fotógrafo da cidade, e como a clientela era muito grande, o prazo para a entrega do material podia chegar a 90 dias. Tinha fregueses que viajavam de Santa Catarina até a Lapa para serem fotografados por ele, mesmo contando com profissionais mais próximos.
Guilherme Gluck deixou registradas imagens durante 43 anos dedicados à arte da fotografia.

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