MEMÓRIA - Poetinha imortal
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de outubro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Uma pilha de homenagens está prevista para celebrar a vida e a obra de Vinicius de Moraes (1913-1980) nesta temporada. Há de tudo no pacote: de reedições de sua produção poética à realização de um documentário com imagens inéditas, passando pela gravação de um CD em que Maria Bethânia empresta voz às suas canções.
O poetinha, como era chamado, deixou legado suficiente para imortalizar-se no imaginário popular. Não por acaso, ele dá nome a um edifício residencial em Londrina. Se vivo fosse, Vinicius estaria completando 90 anos neste domingo. Bon vivant, foi sinônimo de boêmia numa época em que o Rio de Janeiro ditava os padrões de comportamento ao País.
Apaixonado pelo sexo feminino, casou-se oito vezes. Segundo amigos, nunca pulou a cerca mantendo-se fiel às suas mulheres, sem jamais trair seu verso memorável: ''Que não seja imortal posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure''. Dividiu-se entre a poesia, a música, o jornalismo e a diplomacia.
Ficou famoso durante a Bossa Nova compondo em parceria com Tom Jobim, e daí sucessivamente com Baden Powell, Carlos Lyra, Chico Buarque, Edu Lobo e Toquinho. Os versos que escreveu para a MPB foram sempre coloquiais, inspirados na fala espontânea das ruas. ''Olha que coisa mais linda / Mais cheia de graça / É ela menina / Que vem e que passa / Num doce balanço, a caminho do mar'' anotou na clássica ''Garota de Ipanema''.
Sem alarde, elevou a qualidade da letras abrindo caminho para a sofisticada lírica tropicalista. Mas antes de migrar para a música popular, Vinicius andou com uma turma mais sisuda, dedicada às letras e formada por gente como Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Também aí, deixou sua marca sendo responsável pela ''reconstrução do soneto'', na feliz definição do crítico literário Antonio Cândido.
Há três décadas, suas antologias poéticas vendem como best-sellers numa terra em que a poesia raramente vende. Mas para saber mais sobre o autor, convém deixar de lado este e outros artigos de ocasião para mergulhar na coletânea de cartas ''Querido Poeta'', organizada por Ruy Castro; ou nas biografias ''O Poeta da Paixão'', de José Castelo, e ''Vinicius sem Ponto Final'', de João Carlos Pecci.
Já para quem vive com o nariz grudado na tela do computador, a indicação é visitar a página oficial (www.viniciusdemoraes.com.br), que foi inaugurada recentemente na Internet já dentro das comemorações dos 90 anos do poeta.


