MEMÓRIA - O patrimônio histórico ao nosso lado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de abril de 2013
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Primeiro núcleo rural de Londrina, o bairro Heimtal (não mais considerado patrimônio devido à expansão urbana), significa "o vale da vida" ou "o vale do meu lar", originário da língua alemã - etnia que predominava no início dos anos 30. A Escola Alemã, construída com peroba em 1931, foi a primeira instituição de ensino de Londrina. Hoje, a Escola Municipal Padre Anchieta, no Heimtal, conserva o prédio original da escola, que foi transposto para o local atual que recebeu reformas e ampliações, atendendo atualmente mais de 400 alunos da educação infantil ao quarto ano do ensino fundamental.
Memória viva de uma parte importante da história de Londrina, a escola está aplicando um projeto de incentivo ao conhecimento do patrimônio histórico local com o apoio da Secretaria de Educação, da Secretaria de Cultura e do Museu Histórico. Oficinas de fotografia, entrevistas, pesquisas e visitas a locais históricos do bairro estão previstas para este semestre. Um projeto sobre a presença da cultura alemã em Londrina - "Um Pedacinho da Alemanha na nossa Londrina" - também foi encaminhado ao Instituto Goethe, em São Paulo, como forma de motivar o intercâmbio cultural, já que 2013 é o ano do Brasil na Alemanha.
Na semana passada, para marcar o início das atividades, um grupo de alunos do quarto ano, sob a coordenação da professora Rita de Cássia, declamou uma poesia sobre a importância do trabalho dos pioneiros no teatro de arena da escola (única do município que possui esse espaço diferenciado). Um painel com fotos antigas sobre a trajetória histórica da escola pôde ser conferido pelos alunos durante o intervalo. A oportunidade de ver uma "linha do tempo" e reconhecer até o próprio pai quando era criança, em uma das fotos - o que foi o caso de um dos alunos presentes.
Entusiasta da causa e conhecedor de boa parte dessa história, já que mora no bairro há 50 anos, o supervisor Milton Ferrer da Silva vê com bons olhos a iniciativa. "É interessante que as crianças conheçam mais sobre a história local e que esse trabalho seja expandido para outras escolas", sugere. "A escola tem um trabalho solitário em lutar pela preservação desse espaço e esperamos que com o projeto possamos até angariar recursos para reformar esse prédio histórico", comenta a assessora pedagógica Eliane Aparecida Candotti, responsável na Secretaria de Educação pela área de História. "É preciso desenvolver a sensibilidade do professor e do aluno nesse aspecto da importância da preservação da memória histórica. A história passa a ser significativa quando o aluno se identifica com ela", acrescenta.
O diretor Elias Vilas Boas lembra que incentivar a memória local nunca é demais: "Tem muita gente que ainda acha que o Heimtal é muito distante de Londrina e por isso temos até dificuldade na contratação de professores".
Tour pelo bairro
Uma parte dos alunos também conferiu alguns pontos do bairro que irão integrar o roteiro de visitas do Heimtal, que poderá ser incluído ao projeto Conhecer Londrina (roteiro de visitas de alunos municipais a diversos pontos históricos de Londrina). O primeiro local a ser visitado foi a Capela São Miguel Arcanjo.
Construída com madeira em 1937, a capela recebeu revestimento de alvenaria no ano seguinte, sendo restaurada em 1994. Local para celebrações e festividades católicas, no interior do templo ainda é possível observar em uma parte da parede sem reboco o tipo de tijolo antigo que foi utilizado para estruturar o prédio, que já está precisando de uma nova reforma. Com missas realizadas aos sábados, às 20h30, o local também é aberto para a realização de casamentos.
O cemitério do Heimtal, localizado ao lado de uma área de preservação de mata nativa e que foi o primeiro de Londrina e o segundo do Norte do Paraná (sendo o primeiro de Jataizinho), também foi visitado pelos alunos, que se impressionaram com as datas antigas das lápides e com as diferentes etnias reveladas pelos nomes das pessoas falecidas, sendo a maioria de origem alemã.
A inscrição "Hier ruth in Frieden", bastante comum nas lápides locais, e que significa em tradução livre "aqui descanse em paz", provocou questionamentos.
A arquitetura de alguns jazigos também gerou perguntas curiosas entre as crianças. No local ainda estão enterradas pessoas de origem italiana, polonesa, além de migrantes paulistas e mineiros.
Material didático
Os alunos da rede municipal já podem contar este ano com um material didático especial sobre patrimônio histórico. De autoria de Ana Cláudia Cerini Trevisani e Leandro Henrique Magalhães, com apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), cada escola municipal receberá oito exemplares da cartilha "Educação Patrimonial: Propostas de Prática para a Educação Formal".
Jogos de tabuleiro e quebra-cabeças sobre escolas históricas, diversidade religiosa, centro histórico e Rua Sergipe também estão disponíveis para o empréstimo dos professores. O material pode ser requisitado na Biblioteca do Professor, localizada no Centro Municipal de Educação Infantil Valéria Veronesi (Super Creche).
Uma oficina de patrimônio cultural está sendo ofertada gratuitamente para os professores da rede municipal de 23 a 26 de abril. As inscrições devem ser feitas por e-mail na Secretaria de Educação. No Centro Universitário Filadélfia (Unifil) também há um curso a distância sobre o tema.
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