MEMÓRIA - O mago do cinema
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de dezembro de 2003
France Presse 
O director italiano Federico Fellini, que morreu em 1993 aos 73 anos, estava convencido de que o cinema ''era a linguagem mais divina para narrar a vida e poder competir com o Pai Eterno''.
Seus filmes, combinação talentosa de uma irrefreável imaginação com fantasmas oníricos, fazem parte do patrimônio cultural universal, e ultrapassam as fronteiras da Itália.
Federico Fellini dirigiu 24 filmes em 42 anos de carreira, e ganhou cinco Oscar. Ele costumava repetir que ''a memória é o que as pessoas inventam''. Mas para os cinéfilos, o grande mestre do cinema italiano passou para a história com o filme ''A Doce Vida'' (La dolce vita), de 1960, um dos mais escandalosos do cinema. A produção ganhou a Palma de Ouro em Cannes e Oscar de Melhor Figurino. Reflete valores e misérias, costumes e anedotas da burguesia italiana.
Nascido a 20 de janeiro de 1920 em Rimini (norte da Itália, na costa adriática) num família da pequena burguesia provinciana, Fellini começou a trabalhar como caricaturista em revistas satíricas. Com Roberto Rossellini, o mestre do neo-realismo, estreou no cinema. Para ele escreveu vários roteiros, dentre os quais o de ''Roma, cidade aberta'' (Roma, città aperta) e ''Paisà''. Seu primeiro trabalho em direção de longa-metragem foi dividido com Alberto Lattuada: ''Mulheres e Luzes'' (Luci del Varietà). Depois, partiu para a direção solo, com ''Abismo de um Sonho'' (Lo Sceicco Bianco), que traz forte influência do neo-realismo.
Fellini viveu quase toda a vida em Roma. Nos últimos anos desenhou muito. Poucos meses antes de morrer, em março de 1993, recebeu o Oscar Especial pelo conjunto da obra das mãos de Marcello Mastroianni e Sofia Loren. Ao agradecer, confessou que gostou de ser ''um mago''. O que ele, de fato, foi: um mago da imaginação e da criatividade.
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