MEMÓRIA - História recontada em imagens
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de janeiro de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba A exposição Word Press Photo (WPP), em cartaz no Shopping Estação em Curitiba, atraiu a atenção de milhares de visitantes e lançou um holofote sobre o material de fotojornalismo produzido atualmente. A mostra traz as fotografias mais marcantes publicadas na imprensa em todo o mundo, durante todo o ano passado. São imagens violentas e chocantes, como as que vemos nos jornais todos os dias. A diferença é que quando isolada do contexto, exposta numa galeria, por exemplo, a imagem parece ganhar ares mais fantásticos. E não é de hoje que as fotografias feitas para a imprensa conquistam a atenção dos amantes das artes. Em Curitiba, um vasto material desse segmento pode ser pesquisado no Museu da Imagem e do Som (MIS).
Há quase um ano instalado num espaço provisório enquanto o governo decide o futuro da instituição o MIS abriga 1 milhão de imagens fixas. Oitenta por cento desse montante são imagens de fotojornalismo. No acervo, é possível encontrar toda a memória jornalística do Paraná nos últimos cinquenta anos. A Coleção Palácio Iguaçu, por exemplo, começa com fotos tiradas pela equipe de comunicação do governo em 1947, quando o Paraná ainda estava sob a intervenção de Manoel Ribas e prossegue até a última gestão do governo Jaime Lerner.
A participação do Estado no Movimento Diretas Já, que completa 20 anos este ano, é uma das raridades que pode ser encontrada no vasto acervo. O problema é que ainda não existe como fazer uma pesquisa apurada, por assunto ou data, de todo o acervo disponível porque o próprio museu não tem idéia do material que abriga. ''Estamos fazendo um inventário do acervo do MIS, em regime de mutirão (ao todo, são oito pessoas envolvidas). A idéia é levantarmos tudo que existe para depois iniciarmos projetos mais específicos, como a digitalização da imagens, por exemplo'', conta a diretora do espaço Maria Amélia Junginger.
E como é possível que um museu que existe há 35 anos não tenha um registro específico do próprio acervo? A diretora ameniza a situação: ''Nas últimas gestões, as prioridades foram outras'', argumenta. Ela conta que o museu tem documentado o acervo dos seus primeiros dezoito anos de existência, mas que nos últimos anos, com a doação de alguns acervos, o registro dentro de padrões museológicos se perdeu.
Mas procurando muito e marcando com antecedência (o museu não está aberto ao público e apenas atende visitas agendadas), é possível encontrar verdadeiras pérolas da história paranaense, como a visita do atual Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Paraná na década de 80, na ocasião do movimento Diretas Já, ou da foto, na mesma época, de Ulisses Guimarães e José Richa. Esta última, lembra, com certo esforço, a foto premiada do WWP exposta no Estação, que retrata o presidente dos EUA George W. Bush e o primeiro ministro Tony Blair como se eles estivessem em um espelho.
Destaque também para todo o acervo da antiga loja Foto Brasil, que registrou centenas de famílias paranaenses e para imagens captadas pela lente do fotógrafo Jesus Santoro, morto em 2003, entre as décadas de 70 e 80. No registro de Santoro é possível ver imagens peculiares de pescadores e moradores do Litoral, num tempo que mesmo recente já está se perdendo na memória.
Serviço:
- World Press Photo - Exposição mundial de fotojornalismo no Shopping Estação, em Curitiba, até o dia 27 de janeiro. Entrada Franca. Museu da Imagem e do Som, atualmente instalado no antigo Conclomerado do Banestado, no bairro Santa Cândida. Visitas agendadas pelo telefone (41) 351 6687.


