MEMÓRIA - História bem preservada
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de novembro de 2007
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
Pacientes, meticulosos, organizados, ordeiros, reservados, possuem uma culinária apreciada por muitos brasileiros, uma cultura rica e cheia de cerimônias e rituais essas são algumas das informações que qualquer pessoa daria ao ser perguntada sobre os japoneses, povo que contribuiu muito para a colonização do Brasil. Mas os alunos e professores do Colégio Estadual Conselheiro Carrão, em Assaí (36 km ao leste de Londrina), queriam mais, queriam documentar e compreender melhor como foi a vinda desse povo para a cidade e ouvir dos pioneiros suas histórias.
Assim teve início o projeto ''Colonização Japonesa no Município de Assaí (1932-1970)'' que envolveu cerca de 400 alunos e 14 professores, durou três anos e em breve será publicado em três livros. A comunidade já teve oportunidade de ver o que foi feito em uma prévia das comemorações dos 100 anos da imigração japonesa, que acontece em 2008, realizada no colégio em agosto deste ano. Objetos, documentos, fotos, roupas e um pouco da arte e culinária japonesa foram mostrados pelos envolvidos no projeto. Todo o material - objetos, utensílios, instrumentos, documentos, fotos entre outras coisas - deve integrar um museu que será construído pela prefeitura municipal.
Luís Antonio dos Santos, diretor do colégio, diz que um dos objetivos foi buscar conhecer a história de ''baixo para cima'' e para isso os estudantes foram até as casas dos pioneiros para ouvir suas histórias. ''Para os alunos foi muito bom, os ajudou a se aproximarem mais da família e ouvirem suas histórias. Os que foram entrevistados se sentiram valorizados, todos ganhamos.''
A estudante Érika Watanabe conta que com o projeto ficou sabendo de coisas que mesmo sendo descendente não sabia. ''Não tinha muita paciência para ouvir as histórias, agora tenho um pouco mais.'' A amiga Bruna Shigoeoka diz que na hora de transcrever as gravações das entrevistas começou também a entender melhor algumas palavras que os avós costumam dizer. ''Comecei a entender melhor as palavras e também que há algumas diferenças na forma de pronunciar dependendo da região do Japão que as pessoas vieram e também da época.''
Para Renato Ioshimura um dos pontos importantes do projeto foi que quem não é descendente aprendeu a valorizar o que os japoneses fizeram pela região e os descendentes passaram a dar mais valor ainda. ''É importante conhecer melhor a nossa história até para podermos contar com mais rigor como foi a vida dos nossos antepassados. Se valoriza mais aquilo que se conhece e entende.''
Cleder Tavares diz que uma das coisas que mais o impressionou foi o espírito de união e que passou a compreender melhor porque os japoneses são tão reservados. ''Imagina o choque cultural que foi para eles e graças ao fato deles serem tão fechados é que muita coisa da cultura deles foi preservada e hoje podemos ter acesso e entendê-los melhor.'' Para o estudante, houve muito aprendizado na realização do projeto, não somente no aspecto didático, mas também no espírito de trabalho em grupo e ganhos na questão da cidadania. ''Foi muito importante para todos, nos proporcionou inclusive o crescimento como pessoa. Somos cidadãos melhores com certeza.''
A maioria dos alunos não teve dificuldades para fazer o levantamento das informações porque são descendentes de japoneses. Eles contaram que acabaram descobrindo documentos e fotos que nem sabiam que os avós tinham. Todo o material foi exposto à comunidade em agosto e rendeu muitos elogios. O diretor contou que a receptividade foi muito grande e os pioneiros que participaram da exposição também ficaram bastante felizes com o reconhecimento da comunidade. ''Eles se dispuseram a ficar no colégio mostrando um pouco de seus conhecimentos, demonstraram a cerimônia do chá e, na parte da escrita, os alunos explicavam o significado desta arte e o visitante saía com o nome escrito em japonês, foi um grande aprendizado para todos.''


