MEMÓRIA - Exposições lembram o 11 de setembro
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quarta-feira, 11 de setembro de 2002
Guto Barra<br> Agência Estado 
Nova York - Em meio a uma enxurrada de eventos para marcar o primeiro aniversário do atentado terrorista ao World Trade Center, exposições são a mídia preferida para homenagear os mortos e manter o espírito de esperança. Fotografias, objetos e até estátuas de cera relembram os momentos trágicos de 2001 ou apontam para novos horizontes em uma temporada em que editoras de livros, lojistas e instituições culturais se esforçam para tentar descobrir o tom apropriado para tratar o assunto.
O museu do Departamento de Polícia de Nova York, que fica no Distrito Financeiro, a mesma região em que eram as Torres Gêmeas, montou a exposição ''Stronger than Ever: The NYPD Responds to 9/11'', que homenageia os 23 policiais mortos na tragédia (o número de bombeiros foi bem maior). Na mostra, estão objetos recuperados entre os entulhos do World Trade Center, como pistolas, rádios, sirenes e bandeiras e até um carro, completamente amassado. Em um outro andar está o Hall dos Heróis, que reúne fotos, diplomas, medalhas e itens pessoais dos policias que morreram.
Uma outra exposição de clima sóbrio está instalada a poucos metros do Ground Zero. ''The City Resilient'' é composta por 73 imagens feitas pelo fotógrafo Joel Meyerowitz, que ganhou acesso à area logo depois da tragédia para elaborar um arquivo para o Museu da Cidade de Nova York. Ele chegou a produzir mais de mil imagens e algumas delas foram ampliadas para tamanhos de até seis metros de largura. As fotos já foram exibidas em vários países e devem depois seguir para outras cidades americanas.
Uma homenagem simples, mas marcante, foi montada pelo museu de cera Madame Tussaud's, em Times Square. Uma das imagens mais marcantes da tragédia, uma foto de três bombeiros erguendo a bandeira americana entre os entulhos do Ground Zero poucas horas depois da queda dos edifícios, foi transformada em instalação. Réplicas perfeitas dos bombeiros foram colocadas em um cenário que inclui luz dramática, trilha sonora e projeções de imagens reais da tragédia. O clima de efeitos especiais emociona o público, que pode ver também fotos do local em grandes painéis. A imagem que inspirou a exposição gratuita, batizada simplesmente de ''Hope'', foi publicada originalmente pelo jornal nova-iorquino ''Daily News''.
A esperança também é a palavra de ordem para um projeto idealizado pela revista ''New Yorker'' em parceria com a marca de roupas Benetton. A equipe da Fabrica, responsável pelas campanhas da grife, fotografou pessoas do mundo todo de olhos fechados, imaginando o futuro. Os desejos de cada personagem aparecem escritos nas imagens, que estão em exposição no edifício da Condé Nast, em Times Square, e reproduzidas na revista.
O Museu da Cidade de Nova York, por sua vez, resolveu reunir trabalhos feitos por crianças na mostra ''The Day Our World Changed: Children's Art Of 9/11''. São 83 criações, entre colagens, desenhos e pinturas, retrando os ataques e também os sentimentos das semanas seguintes à tragédia - todos feitas por crianças e adolescentes, entre 5 e 18 anos. A mostra também vai gerar um livro de mesmo nome, que chega às lojas nesta semana.


