MEMÓRIA - Eterno mito
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de maio de 2006
Luiz Zanin Oricchio<br> Agência Estado 
Incrível, Norma Jean faria hoje 80 anos, mas claro, Marilyn Monroe, como ela era conhecida, jamais chegaria a essa idade provecta. Morreu moça, com 36 anos, de overdose, em 5 de agosto de 1962. Foi o maior símbolo sexual do século 20. O nosso ainda novo século 21 não produziu outro mito que rivalize com ela.
Mas Marilyn não foi apenas o protótipo da loira burra, como se pensa. Era atriz para valer, um ''bicho de cinema'', como se diz. Aquele tipo de pessoa que, sem dispor de um talento dramático tão evidente, ''enche a tela'', também no jargão cinematográfico. Não conseguimos afastar os olhos dela.
Quem duvida, ou quem tem saudades dos seus filmes, pode conferir o ciclo promovido pelo canal pago Telecine, que começa nesta quinta-feira. O canal exibe dois filmes da carreira de Marilyn a cada quinta-feira, apresentados pelo crítico Marcelo Janot. No programa de hoje, uma comédia, ''O Inventor da Mocidade'', às 20h, e um drama, ''Torrente de Paixões'', às 22h.
No primeiro, Marilyn faz a secretária sexy e incompetente de um cientista maluco. Um papel-estereótipo. No segundo, é a instável esposa de um homem mais convencional que ela. A tensão sensual da presença de Marilyn é o que existe de mais notável nesse thriller com grande senso de clima.
Mas o melhor do ciclo de oito filmes está reservado para as semanas seguintes, quando então poderão ser vistos alguns dos grandes trabalhos da atriz com Billy Wilder, que por acaso foi quem a dirigiu melhor. Wilder tem uma piada a respeito. Perguntaram-lhe como conseguia trabalhar com uma atriz tão instável e problemática quanto Marilyn. O diretor de ''O Pecado Mora ao Lado'' e ''Quanto mais Quente Melhor'', teria respondido: ''Tenho uma tia idosa, muito pontual, que não bebe e não ingere drogas, mas acho que ninguém pagaria para vê-la no cinema.''
Wilder compreendia o magnetismo da imagem de Marilyn e a fazia desenvolver um senso cômico talvez inato. Mas foi John Huston quem a dirigiu num papel dramático inesquecível em ''Os Desajustados'', um filme terminal em vários sentidos. Ela faz a namorada instável de um ex-caubói vivido por Clark Gable, que agora se dedica a caçar cavalos selvagens para transformá-los em comida de cachorro. A história foi escrita por Arthur Miller, então marido de Marilyn. Foi o último filme de Gable, que morreu pouco depois, e também o trabalho de despedida de Marilyn. Um legado e tanto.


