MEMÓRIA - De véu e grinalda
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segunda-feira, 25 de junho de 2007
Mariana Trigo<br> TV Press 
Minisséries com formatos de ''thriller'' não são comuns na tevê. Esse é um dos motivos que fez com que ''As Noivas de Copacabana'', produção exibida pela primeira vez na Globo em junho de 1992, se destacasse na época. A trama de Dias Gomes, Marcílio Moraes e Ferreira Gullar, que estreou há 15 anos, já foi reprisada três vezes no Brasil e vendida para mais de 20 países. O suspense dava o tom tenso da história ao mostrar os crimes cometidos pelo serial killer Donato, protagonista vivido por Miguel Falabella. ''Pena que a Globo não faz mais esse tipo de produção policial. É o que eu mais gosto de dirigir'', lamenta Roberto Farias, diretor da minissérie.
O psicopata, um requintado restaurador de obras de arte, era noivo de Cinara, personagem de Patrícia Pillar. Donato escolhia suas vítimas pelos classificados de jornais, em anúncios de venda de vestidos de noiva. Ao encontrá-las, com a desculpa de comprar o vestido, o assassino seduzia suas vítimas e as fazia vestir até o véu e a grinalda. Logo depois, as executava friamente. ''O diferencial desse trabalho é que a história foi contada a partir do assassino. O telespectador acompanhava as manobras dele para escapar da polícia'', ressalta o co-autor Marcílio Moraes.
Exibida em 16 capítulos, metade das cenas da trama foi gravada nas ruas do bairro, principalmente durante o dia, o que fez com que Copacabana virasse uma espécie de personagem na história. Segundo Roberto Farias, nesse ponto a minissérie se assemelha a ''Paraíso Tropical'', novela das oito da emissora, que mostra o bairro como um ''coadjuvante'' da história. ''Isso dá uma personalidade e uma autenticidade curiosa em ambos os casos. Mas seria bárbaro se na época eu tivesse os recursos de hoje'', avalia o diretor. ''Para mim, os personagens da minissérie são parentes de muitos papéis da novela do Gilberto Braga'', brinca Marcílio.
A história foi idealizada por Dias Gomes quando o falecido autor assistiu a uma matéria sobre psicopatas no ''Fantástico'', na Globo. A partir daí, pensou em Miguel Falabella para o personagem principal. ''Sem dúvida foi um dos trabalhos mais densos que já fiz, um marco policial na dramaturgia'', elogia Falabella. ''Tenho tantas saudades desse trabalho tão realista! Guardo fotos lindas com o Miguel, que já foi meu irmão, primo e até me matou na tevê'', diverte-se Christiane Torloni, que interpretou Kátia, uma socialite assassinada por Donato.
A trama, que começava com o terceiro crime cometido pelo serial killer, era investigada pelo detetive França, personagem de Reginaldo Faria, com ajuda do delegado Adroaldo, vivido por Hugo Carvana. ''Confesso que tenho poucas memórias desse trabalho. Estou ficando velho. Minhas lembranças se acabaram'', esquiva-se Hugo, sem perder o bom humor.
Paralelamente à trama policial, o detetive França enfrentava uma crise em seu casamento com Mariana, de Zezé Polessa. As tramas paralelas, que envolviam traições e críticas sociais, lembravam o estilo do dramaturgo Nelson Rodrigues, mas não perdiam a densidade do texto de Dias Gomes. ''Achava o máximo as cenas movimentadas, a sedução das mulheres, os takes bem cinematográficos'', valoriza Zezé.
A história chegou a ser reapresentada três vezes. A primeira vez entre janeiro e fevereiro de 1995, nas comemorações dos 30 anos da Globo. Depois, em outubro de 1998 - compactada em oito capítulos. Por fim, a última exibição foi em janeiro de 2005, no Multishow, da Globosat. A última versão, com apenas cinco capítulos, foi a mesma vendida no exterior. Essa edição não mostrava o final exibido no Brasil. Na última cena, Donato foge da prisão e ''prepara o bote'' para mais uma vítima, vivida por Lizandra Souto. Na versão internacional, ''politicamente correta'' para ser vista no exterior, o assassino termina a história na prisão, o que oculta a ironia à impunidade brasileira. ''Esse trabalho eternizou Copacabana, suas misérias humanas e todo o seu fascínio'', avalia Marcílio.


