Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Enquanto as comemorações referentes aos 500 anos de Descobrimento do Brasil ganham espaço na mídia – algumas vezes com equívocos e distorções –, a cidade de Natal completou 400 anos apoiada por um empreendimento que vem registrando suas manifestações musicais. Encabeçado pela Fundação Hélio Galvão, o Projeto Nação Potiguar já gravou quatro títulos, um trabalho que pode servir de referência para a preservação musical de outros Estados.
Os discos ‘‘Zamb꒒, ‘‘Revisitação dos Santos Reis’’, ‘‘Emboladas – Cocos’’ e ‘‘Nação Potiguar’’ fazem um mapeamento importante dos gêneros que povoam o Rio Grande do Norte. São trabalhos de conteúdo histórico e surgem no momento em que o Brasil se volta para a própria cultura.
‘‘Nação Potiguar’’, por exemplo, aglutina desde influências anteriores à fundação da cidade até o encontro do rock com manifestações folclóricas. Um verdadeiro mosaico sonoro composto por fado, valsa, dobrado, repente, coco, arrasta-pé, toada, choro e rock.
Compositores locais, como Othoniel Menezes, Fátima Brito, Chico Antônio e Felinto Lúcio Dantas ganham interpretações de nomes conhecidos como Gereba, Chico César, Antônio Nóbrega e Xangai. O grupo Anima, de Campinas, interpreta ‘‘Mestre Pequeno’’ (Domínio Público); enquanto Hermeto Paschoal faz um improviso a voz e teclado em ‘‘Aboio’’ – uma homenagem a Natal.
Em ‘‘Zamb꒒, o ecletismo dá lugar à singularidade do batuque noturno. O Coco de Zambê é um gênero interpretado em instrumentos de percussão (pau-furado ou zambê, chama e lata), coro e voz solo. As reuniões ocorrem em lugares improvisados e podem se estender até de manhã, com coreografias individuais. O encarte é bem produzido e traz fotos do batuque com textos explicativos.
O Coco é uma dança litorânea originária nas usinas de açúcar, e se desenvolveu em diversas formas – algumas no compasso 2/4, outras no 4/4. O Coco de Embolada traz a estrutura do Coco com o canto da Embolada. É nesta área que se situa o disco ‘‘Emboladas – Cocos’’, também lançado em homenagem aos 400 anos de Natal.
A diferença com o Zambê é substancial: o Coco de Embolada é acompanhado por pandeiros simultâneos, numa estrutura diferente da variação proporcionada pelo pau-furado, chama e lata. A forma rítmica incentiva o improviso, mas não exclui versos prontos.
Os lançamentos alcançam a esfera da música de concerto com ‘‘Revisitação dos Santos Reis’’, composição de Antônio José Madureira em homenagem à música popular, englobando manifestações diversas como a congada, as cantadeiras, cantos do mangue e os caboclinhos, colocando na mesma panela heranças ibéricas e africanas. Classificada como uma ‘‘louvação sinfônica’’, o concerto ganhou regência de Antônio José Madureira e interpretação da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte. Os contatos com o Projeto Nação Potiguar podem ser feitos pelos telefones (84) 211-7712 ou (84) 222-2648.Projeto Nação Potiguar registra em quatro CDs a diversidade musical do Rio Grande do Norte
Candinha Bezerra/ReproduçãoO Coco de Zambê, realizado à noite, traz coreografias individuaisCandinha Bezerra/ ReproduçãoMestre Corrêia é uma referência no disco ‘‘Revisitação dos Santos Reis’’Candinha Bezerra/ReproduçãoO baiano Gereba participa de uma homenagem ao escritor Câmara Cascudo

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