Melodia é destaque
Cheio de Dedos é um disco de compositor. Portanto, só o que interessa é a melodia. Nem por isso Guinga se perde em virtuosismos. As faixas são curtas e estudadas, sem lugar para o improviso. É fiel à sua própria concepção. A languidez do choro - e não a alegria do chorinho - delineia as composições, que têm arranjos inspirados para as cordas, mas contidos no que se refere aos metais. Os arranjos a que submete o gênero lembram as transformações impetradas pelos membros da Camerata Brasileira e as de Raphael Rabello.
Em alguns momentos, Guinga se afasta do Rio de Janeiro, como no baião experimental Dá o Pé, Louro, composto para reverenciar Hermeto Pascoal.
O disco tem também um samba inspirado, Rio de Exageros, com participação especial do pianista Chano Dominguez, e uma modinha, Inventando Moda.
Apesar de poucas surpresas - o formato das composições é conhecido e respeitado à risca, Guinga ousa em arranjos capazes de personificar todo esse universo com seu estilo próprio.
Foi mais longe do que seu modesto objetivo de contar a história musical do Rio de Janeiro. Fez o melhor disco de música brasileira do ano.





