NOVELA
A Melhor: Xica da Silva
‘‘Xica da Silva’’ conseguiu chamar atenção não só pelo festival de escravas desnudas e saltitantes, mas pelo desempenho, no mínimo equilibrado, dos atores em cena. O grande mérito, na verdade, é do diretor Walter Avancini, que conseguiu transformar a atuação de um bando de novatos em algo crível.
A Pior: Antônio Alves, taxista
Essa co-produção do SBT com a Argentina ficou parecendo um tango fora do compasso. Liderado por Fábio Jr, o elenco de ‘‘Antonio Alves’’ conseguiu transformar-se num desastre dramatúrgico.
ATRIZES
A revelação: Lavínia Vlazak
O diretor Luiz Fernando Carvalho resolveu apostar no potencial de Lavínia. Mesmo no meio de um bando de feras como Glória Pires, Antônio Fagundes e Stênio Garcia. A moça não fez feio e ganhou merecidamente o título de atriz revelação de 96.
A melhor: Drica Moraes
Depois de fazer um incontável número de personagens engraçadinhas como a fogosa Denise de ‘‘Quatro por Quatro’’, Drica era só mais uma no vasto universo das atrizes cômicas. Mas, na pele da pérfida Violante, de ‘‘Xica da Silva’’, Drica reinou absoluta nas telenovelas. A carga dramática empregada por Drica em cenas em que mostrava-se transtornada pelo ódio a colocou na galeria de vilãs imbatíveis como a Odete Roitman, de Beatriz Segall em ‘‘Vale Tudo’’.
A pior: Elizabeth Savalla
A experiente Elizabeth Savalla pagou o pato ao protagonizar uma novela marcada por equívocos. A Maria Luiza que fazia em ‘‘Quem é voc꒒ teve o seu perfil completamente modificado durante a trama.
ATORES
A revelação: Eduardo Dusek
Até entrar em ‘‘Xica da Silva’’, Eduardo Dusek era sinônimo de músicas escrachadas como Rock da cachorra e Cantando no banheiro. Mas na pele do Capitão-mor Emanoel Gonçalo, Dusek mostrou que tem qualidades suficientes para compor com veracidade um personagem dramático.
O melhor: Raul Cortez
Este ano, Raul Cortez brilhou sozinho no pasto dramatúrgico. Ainda que tenha tirado da cartola um sotaque italiano que seu personagem de ‘‘O Rei do Gado’’ nunca teve, fez até o público esquecer que Geremias Berdinazzi era apenas filho de italiano e não italiano autêntico. Cortez se despojou do estilo galã e deu vida a um senhor com barba grisalha, que manca da perna e usa bengala.
O pior: Fábio Jr. e Humberto Martins
Humberto Martins já tem um bom tempo de estrada para derrapar feio como fez em ‘‘Vira-lata’’. Extrapolou nos maneirismos e no falar preguiçoso que ele supôs caracterizarem um autêntico Don Juan brasileiro. Fábio Jr não ficou atrás. Era deprimente ver o ator, como um taxista molambento. Em suma, houve um empate técnico entre os dois.
DIRETOR DE NOVELA
O melhor: Walter Avancini
Apesar de muitas vezes ser acusado de extrapolar nas cenas de nu, Avancini ainda é um dos melhores diretores da tevê brasileira.
O pior: Herval Rossano
‘‘Quem é Voc꒒ acabou sendo fruto de um erro total. Herval Rossano não soube dosar a mão e isto acabou se refletindo no ínfimo índice de audiência.
SERIADO NACIONAL
O melhor: A comédia da vida privada
Pela segunda vez consecutiva o especial é escolhido como o melhor do ano. Se a qualidade do texto caiu, a emissora procura compensar na produção. Alguns exemplos são a reprodução da ponte de Brookling e do Manhattan Skylight no episódio ‘‘Como destruir seu casamento’’, com direção de Guel Arraes.
O pior: Brava gente
O programa que estreou em outubro não conseguiu nem mesmo agradar à própria emissora que o retirou do ar antes do fim do ano. As piadas tendiam para o pastelão e tentavam reinventar o estilo de ‘‘A Grande Família’’, que fez sucesso entre 1974 e 1975. Sem o mesmo talento.
SERIADO IMPORTADO
O melhor: Arquivo X
Pelo segundo ano consecutivo, ‘‘Arquivo X’’ fica na posição do que há de melhor no universo dos enlatados. Exibido pela Record, o seriado enfrentou alguns problemas durante o ano como a mistura de reprises com episódios inéditos.
O pior: Power Rangers
Mesmo sendo um sucesso infantil, não há nada mais insuportável do que acompanhar as aventuras dos supostos jovens heróis Triny, Billy, Zack, Kimberly e Tommy. Reúne o que há de pior na produção japonesa aliada ao lixo americano.
TELEJORNAL
O melhor: TJ Brasil
Apesar do excesso opinativo do apresentador Bóris Casoy, o telejornal do SBT emplacou este ano pela precisão de suas notícias e pela imparcialidade com que a maior parte das matérias são editadas. A cobertura dos Jogos Olímpicos, em Atlanta, e das eleições municipais em todo o país também renderam pontos preciosos ao telejornal.
O pior: Jornal do SBT
A própria reação da emissora, tirando o programa do ar e remanejando os apresentadores Eliakim Araújo e Leila Cordeiro para o apelativo ‘‘Aqui e Agora’’, estimulou o Jornal do SBT a ganhar o título de pior do ano. Com comentários sem sentido, e matérias com pouquíssima profundidade, o telejornal acabou funcionando como um ótimo sonífero para o espectador.
APRESENTADORES DE TELEJORNAL
O melhor: Chico Pinheiro
À frente do ‘‘Bom dia São Paulo’’ e apresentando periodicamente o ‘‘Jornal Nacional’’, o mineiro Chico Pinheiro procura fazer o feijão com arroz com muita competência . É simples, conciso e direto. Por tudo isso, passa credibilidade e confiança ao espectador.
O pior: Eliakim Araújo
Cometendo gafes atrás de gafes e brincando, com Leila Cordeiro, diante da tevê, Eliakim Araújo teve um ano infeliz. Comandou, juntamente com a mulher, o Jornal do SBT, que pouco acrescentou às notícias veiculadas ao longo do dia. Tanto é verdade que o jornal se extinguiu.
A melhor: Fátima Bernardes
Apontada como a mala pesada do ano passado, a ex-apresentadora do ‘‘Fantástico’’ retorna à eleição deste ano como a melhor apresentadora de telejornalismo. Pode-se supor que a dança das cadeiras na Globo tenha feito bem à Fátima, que veio ocupar no ‘‘Hoje’’ o cargo que era de seu marido, William Bonner.
A pior: Leila Cordeiro
Com seu visual andrógino, a apresentadora não consegue transmitir ao público a tão necessária credibilidade que a notícia exige e ainda insiste em pontuar determinados comentários com seus risinhos infames. Talvez a mudança de horário e de programa - foi para o ‘‘Aqui Agora’’ - possa lhe restituir a estima junto ao público.

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