Em 2015, a teledramaturgia continuou amargando a queda nos índices de audiência. Boas novelas e as que exploraram o "mais do mesmo" foram perfiladas, sem muito alarde – positivo ou negativo. Ironicamente, foi a Record que saltou na frente. Sem bons resultados há muito tempo, "Os Dez Mandamentos" colocou a emissora de volta na briga pela liderança da audiência.
Apesar do sucesso do folhetim bíblico – a reta final registrou picos de 30 pontos no Ibope –, a escolhida como "Melhor Novela" de "Melhores & Piores de TV Press 2015" foi "Além do Tempo". Com delicadeza e clichês folhetinescos, a trama de Elizabeth Jhin soube integrar texto direto e apuro estético como nenhum outro folhetim do ano. Se como um todo a novela das seis foi a melhor, Lícia Manzo ganhou como "Melhor Autora" por "Sete Vidas". Na contramão dos clichês, Lícia apresentou uma humanização dos personagens pouco vista na teledramaturgia, somada, ainda, a diálogos cheios de entrelinhas.
Muito esperada – principalmente pelo reencontro de João Emanuel Carneiro e Amora Mautner, responsáveis por "Avenida Brasil" –, "A Regra do Jogo" desperdiçou suas fichas nas primeiras semanas. O elenco estelar não superou a ausência de uma história forte e a atual trama das nove acabou sendo eleita como "Pior Novela" do ano.
Se as novelas das nove não vêm fazendo o sucesso esperado, as apresentadas no horário das 23 h continuam "salvando" a Globo. Depois das bem-sucedidas "Gabriela" e "O Rebu", "Verdades Secretas" teve vencedores nos quesitos "Direção", "Cenografia", "Atriz Revelação" e "Melhor Ator Coadjuvante".
Quando as tramas não ajudam muito, o jeito é contar com bons atores. Paolla Oliveira levou o título por "Felizes Para Sempre?" e "Além do Tempo". Na pele de Denise e, posteriormente, como Melissa na novela de Elizabeth Jhin, a atriz conseguiu se reinventar e deixar para trás o estigma das mocinhas chorosas.
O ano de 2015 foi frutífero para as séries. Assim como "Felizes Para Sempre?", a "Melhor Série de Tevê Aberta", "Romance Policial: Espinosa" foi o destaque nos canais a cabo. Entre produções boas e ruins, o Multishow ganhou, pela segunda vez, como incubadora da "Pior Série de Canal Fechado". "Trair e Coçar É Só Começar", escolhida como pior do último ano, deu lugar ao fraquíssimo "#Partiu Shopping".

Melhor Novela
"Além do Tempo", da Globo


"Além do Tempo" é uma prova de que clássicos estão sempre em alta. Com uma trama bem estruturada e personagens bem desenhados, a novela de Elizabeth Jhin resgata a temática folhetinesca tradicional e abusa dos conflitos amorosos, traições e segredos. A passagem de tempo – uma decisão quase sempre arriscada – enriqueceu a história. O trabalho para ter cenário, figurino, trilha sonora e uma trama condizente com duas novelas dentro de uma culminou no grande destaque do ano.

Pior Novela
"A Regra do Jogo", da Globo

A expectativa para "A Regra do Jogo" era alta, mas o fracasso foi anunciado logo nas primeiras semanas do folhetim. A história não se encaixa. A dubiedade dos personagens, reforçada nos "teasers" da novela e nos seus primeiros capítulos, acabou deixando uma lacuna enorme sobre a trajetória deles. É certo que, para dar certo, uma novela não precisa necessariamente ter mocinhos e vilões. Mas uma história coerente é fundamental.

Melhor Série de Tevê Aberta
"Felizes Para Sempre?", da Globo

A ousadia textual e estética de "Felizes Para Sempre?" foi um dos maiores acertos da Globo neste ano. Em tempos de polêmica com beijo gay entre duas grandes atrizes em "Babilônia", a emissora deu um salto à frente abordando de forma sensual, crível e leve a relação entre Marília e Denise, interpretadas por Maria Fernanda Cândido e Paolla Oliveira.

Pior Série de Tevê Aberta
"Amorteamo", da Globo

A estética rebuscada de "Amorteamo" não conseguiu mascarar o fraco roteiro da série. Criada por Cláudio Paiva – responsável pelas bem-sucedidas "Tapas & Beijos" e "Chapa Quente" –, o melodrama da noiva cadáver não empolgou.

Melhor Série de Tevê Fechada
"Romance Policial: Espinosa", do GNT

A série policial, inspirada no livro "Uma Janela em Copacabana", de Luiz Alfredo Garcia-Roza, foi uma aposta ousada do GNT. Domingos Montagner, seguro na pele do delegado Espinosa, segurou a produção ao lado do elenco que ainda tinha nomes como Bianca Comparato, Chandelly Braz e Nanda Costa.

Pior Série de Tevê Fechada
"#Partiu Shopping", do Multishow

Tom Cavalcante se perdeu em um texto engessado e ao lado de fracos companheiros cênicos em "#Partiu Shopping". O humor ultrapassado e o excesso de piadas que "forçam a barra" foram os principais problemas do "sitcom".

Atriz Revelação
Camila Queiroz, de "Verdades Secretas"

Segurando com estilo tanto as cenas sensuais quanto as dramáticas, a modelo se destacou como a grande revelação, desbancando rivais como Isabella Santoni, por "Malhação", e Letícia Lima, no ar em "A Regra do Jogo".

Ator Revelação
Felipe Simas, de "Malhação", da Globo

Na pele do antagonista Cobra, da temporada passada de "Malhação", o ator conseguiu desbancar o mocinho da história, interpretado por Arthur Aguiar. De lutador vilão a mocinho regenerado, Simas se mostrou seguro e preparado para "roubar a cena".

Melhor Atriz
Paolla Oliveira, de "Felizes Para Sempre?" e "Além do Tempo"

Com atuação precisa e nada óbvia, Paolla mostrou que tem força para fazer mais do que chorar no posto principal.

Pior Atriz
Tatá Werneck, de "I Love Paraisópolis"

O carisma, agilidade de pensamento e capacidade de improviso da comediante são inegáveis. Na pele de Danda, de "I Love Paraisópolis", no entanto, a atriz praticamente imitou os trejeitos de Valdirene, de "Amor à Vida".

Melhor Ator
Guilherme Winter, de "Os Dez Mandamentos"

Seguro e com um atuação crível, o intérprete de Moisés não deixou o mocinho se tornar um personagem apático e mostrou dedicação nas cenas mais dramáticas e na fé inabalável do personagem.

Pior Ator
Thiago Lacerda, de "Alto Astral"

Thiago Lacerda pecou pelo exagero. Buscando dar credibilidade ao seu afetado Marcos, em "Alto Astral", ele não conseguiu encontrar o tom da vilania.

Melhor Atriz Coadjuvante
Nívea Maria, de "Além do Tempo"

Dedicada e em sintonia com o resto do elenco, a atriz conseguiu ter excelentes cenas nos embates servis de Zilda com Vitória, personagem de Irene Ravache.

Pior Atriz Coadjuvante
Débora Nascimento, de "Alto Astral"

A atriz não conseguiu segurar o título de antagonista da novela das sete. Talvez tenha sido falta de preparo. Ou então o jogo ruim entre ela e Thiago Lacerda, que não encaixou.

Melhor Ator Coadjuvante
Rainer Cadete, de "Verdades Secretas"

Na pele do afetado Visky, o ator fugiu do clichê da homossexualidade. Apesar dos trejeitos e do linguajar, Rainer colocou personalidade no texto e acabou ganhando grande visibilidade na trama.

Pior Ator Coadjuvante
Marcos Pasquim, de "Babilônia"

Cotado para interpretar um homossexual, ele acabou no papel de Carlos Alberto, um personagem sem nenhuma expressão ou história para contar. Com isso, ficou perdido em sua própria composição.

Melhor Autor
Lícia Manzo, de "Sete Vidas"

Lícia Manzo já havia deixado sua assinatura bem clara em "A Vida da Gente". Em sua segunda novela solo, a autora reforçou a simplicidade e os conflitos humanos. Para "Sete Vidas", continuou abandonando clichês, vilões e mocinhos. Cenas compridas com diálogos profundos poderiam tornar a novela chata, mas o contrário aconteceu. O embate entre casais, irmãos e amigos era quase uma sessão de terapia. Conversas lúcidas e maduras foram a pauta da novela das seis, um dos melhores roteiros do ano.

Melhor Diretor
Mauro Mendonça Filho, de "Verdades Secretas"

Uma boa novela precisa da combinação entre um texto fluido, uma direção cuidadosa e atores afiados. Mauro Mendonça Filho cumpriu com louvor o seu papel. Além do delicado trabalho com atores – em especial com Grazi Massafera, intérprete de Larissa –, a luz, cores e cenários foram de um bom gosto ímpar.

Melhor Cenografia
"Verdades Secretas", da Globo

O conceito de imagem de "Verdades Secretas" acompanhava a história dos personagens. A cracolândia foi um dos pontos marcantes do folhetim de Walcyr Carrasco. Não era só um cenário. O lugar "respirava", tinha vida própria. Um trabalho digno de prêmio feito por Alexandre Gomes e Mauro Vicente Ferreira.

Melhor Figurino
"Além do Tempo", da Globo

Natalia Duran, figurinista de "Além do Tempo", teve trabalho dobrado. Para a primeira fase da novela, retratada no Século XIX, ela abusou dos modismos para vestir os personagens de Elizabeth Jhin. E, na passagem de tempo, respeitando os dias atuais, os personagens seguiram certa coerência de cores e estilos.

Melhor Trilha Sonora
"Babilônia", da Globo

Para uma trama que se passava na favela e no asfalto, Roger Henri, responsável pela trilha sonora, procurou unir uma seleção que variava de acordo com a temperatura de cada local ou cena, incluindo Tim Maia, Melanina Carioca, Gal Gosta e Mosquito.

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