Karina Yamada‘‘BP Zoom’’:o nonsense desarmou o público e o riso foi natural




‘‘BP Zoom’’, da Nouveau Cirque
Dois songamongas chegam de carro à Londrina. Mr.P. dirige o pequeno automóvel, enquanto Mr. B. dorme. Mr. B não dirige porque não enxerga um palmo diante do nariz. Esse defeito acaba se tornando um efeito especial. Ao saírem do carro, desencadeiam uma série de gags que levantaram o público de Londrina, no diminuto espaço do Teatro Núcleo I. O nonsense ganhou dois representantes genuínos do teatro do absurdo. Mr. P. tão grande quanto desajeitado tropeça na sua ingenuidade. Complementares e diferentes, os dois personagens de ‘‘BP ZOOM’’ desarmaram os londrinenses e o riso aconteceu tão natural como se a platéia não soubesse fazer outra coisa. Na foto acima, o agigantado Mr. P., o lunático grandalhão pensa que é um peixe. Detalhe: ficou muita gente para fora na segunda apresentação, o que renderia outra lotação no Teatro Núcleo I.







Karina Yamada‘‘El Húsar de la Muerte’’: espetáculo em clima de teatro filmado








‘‘El Húsar de la Muerte’’, La Patogallina
O teatro serviu de base para incontáveis filmes e, muitas vezes, se transformou apenas num teatro filmado. Mas um filme encenado é a primeira vez que se tem notícia. ‘‘El Húsar de La Muerte’’, do grupo chileno La Patogallina , resolveu de forma muito criativa essa transposição. Toda em preto-e-branco, a peça é a releitura na íntegra de um famoso filme chileno, que ressuscitou o mito de Manuel Rodrigues. Com cenários e figurinos criativos, a montagem ganhou pontos com a presença de uma banda ao vivo e pecou pelo tom melodramático em excesso, o que deixou o espetáculo generosamente longo.




Karina Yamada‘‘Amargo’’: movimentos ritualizados e sofisticação ‘‘primitiva’’







‘Amargo’, da Cia. Rafael Amargo
A maior ovação nessa edição do Filo, até agora, aconteceu com o espetáculo de flamenco ‘‘Amargo’’. Em cena, a beleza clássica da mulher espanhola arrebatou a platéia, tão receptiva quanto emotiva. O flamenco tem na sensualidade o ponto de apoio. As belas espanholas conquistaram com seus movimentos ritualizados e primitivamente sofisticados. Os passos são realizados como se demarcassem territórios de conquistas. Um solo de dançarina de flamenco arrebata o coração de qualquer homem. E por falar em figura masculina, o coreógrafo e dançarino Rafael Amargo monopolizou a cena no Cine-Teatro Ouro Verde. Ao final, uma ‘‘jam session’’ com a música típica da Andaluzia rendeu mais aplausos aos espanhóis.

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