Melhor que a encomenda
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Luana Borges<br>TV Press 
Gabriel Gracindo sempre quis viver um tipo maluco. Afinal, é um perfil de papel que rende ao intérprete múltiplas possibilidades em cena. Em "Vitória", ele concretiza esse desejo na pele do domador de cavalos Ziggy. E ainda tem a chance de explorar um outro elemento que atrai a maioria dos atores: a vilania. É que na trama de Cristianne Fridman, em momentos de crise, o personagem, que sofre de dupla personalidade, assume a identidade do inescrupuloso Iago. Por conta disso, o processo de composição de Gabriel se tornou mais complexo. Em vez de criar apenas um papel, ele precisou desenvolver dois. Mas com o cuidado de manter uma conexão entre eles por se tratar de uma mesma "persona" dentro da história. "No início, Ziggy era um cara do bem e foquei somente nessa composição. Mas, quando começou a aparecer só a voz e a mão do Iago nos capítulos, construí essa outra personalidade e passei a jogar com os dois", explica. A patologia de Ziggy, no entanto, não é especificada no texto. O que fez o ator buscar diversos livros e filmes, entre eles "As Três Máscaras de Eva", de Nunnally Johnson. "Mas nada era parecido com meu personagem. O material serviu apenas como referência e para eu ver como um mesmo ator faria essa mudança de olhar e de voz dentro de um mesmo filme", salienta.
Neto de Paulo Gracindo e filho de Gracindo Júnior, Gabriel praticamente não teve escapatória na hora de escolher a profissão. O convívio com o meio artístico desde pequeno foi tanto que, quando ele se deu conta, aos 14 anos já estava em cena. "Se não fosse ator, acho que sentiria falta disso na minha vida", imagina. O fato de fazer parte de uma família com nomes reconhecidos da dramaturgia, segundo ele, tem o lado bom e o ruim. "Em qualquer estúdio ou teatro, as pessoas relembram histórias do meu avô e do meu pai e já passam a gostar de mim. Mas devem falar nas minhas costas: Vamos ver do que esse menino é capaz", brinca.
Nome: Gabriel Carvalho Gracindo.
Nascimento: Em 21 de novembro de 1977, no Rio de Janeiro.
O primeiro trabalho na televisão: "Caça-Talentos", exibida pela Globo em 1996.
Atuação inesquecível: "Gosto muito do bombeiro Júnior, de Chamas da Vida", exibida pela Record em 2009.
Um momento marcante na carreira: "Quando eu vim para a Record para fazer A Escrava Isaura. Foi um momento de transformação, em que a televisão passou a fazer parte da minha vida diária."
Interpretação memorável: Osmar Prado, em "Renascer", exibida pela Globo em 1993.
A que gosta de assistir na televisão: "Documentários do Discovery Channel."
A que nunca assiste na televisão: "Programa de fofoca."
O que falta na televisão: "Programas que deem informação e entretenimento de maneira mais rica."
O que sobra na televisão: "Futilidade."
Livro: "Os Irmãos Karamazov", de Fiódor Dostoiévski.
Ator: Paulo Gracindo.
Atriz: Marília Pêra.
Vilão marcante: Antonio Fagundes como Felipe, em "O Dono do Mundo", de 1991.
Papel mais difícil de compor: "No espetáculo Canastrões, em que eu vivia um personagem chamado O Acontecido. Era uma peça circense e o papel era todo construído em cima de Commedia DellArte".
Papel que teve mais retorno do público: Henrique, de "A Escrava Isaura".
Se não fosse ator, o que seria: Arquiteto.
Autor: Fiódor Dostoiévski.
Diretor: Luiz Fernando Carvalho.
Medo: "De não conseguir me renovar na profissão, de começar a me repetir."
Projeto: "Conseguir intercalar novela e teatro. Se tivesse um filme no meio, seria melhor ainda. Acho isso importante para o ator."


