Melhor idade
Melhor idade
Alguns falam que nós, que estamos ficando idosos, estamos na melhor idade.
Que melhor idade é essa em que, se vamos viajar, esquecemos a escova de dente, a camisola ou até mesmo o carregador do celular?
Melhor idade em que, frequentemente, visitamos o consultório de uma ou outra especialidade médica e recebemos pedidos de muitos exames?
Idade em que, vez por outra, não nos lembramos do nome da pessoa que está falando conosco? Ou esquecemos as datas de aniversário dos entes queridos?
Melhor idade, só se for para os capitalistas que, cientes de que temos muito pouco com que gastar agora, em se tratando de luxos e desejos, inventaram essa expressão para que nos sintamos um pouco mais jovens e valorizados e, portanto, dispostos a fazer uma ou outra coisa que "inventaram" para que gastemos o pouco que temos.
Imagine que nossos pés não querem mais levantar do chão e por isso andamos arrastando-os, coisa que muita gente detesta e que nos causa muitos acidentes por quedas.
Tudo em nós se torna mais lento: a digestão, os reflexos, o andar, os gestos, a comunicação, o raciocínio, etc. E isso irrita os de menos idade por não conhecerem que essas são características de uma etapa vital, ou mesmo por não saberem respeitar esse momento nosso, haja vista que ainda se encontram em fases da vida em que a pressa e a correria são a tônica.
Calculem que, quanto mais nossa idade aumenta temos a necessidade de que não se mudem as coisas de lugar para que não as esqueçamos, evitando assim que nos sintamos atarantados até absorver por completo tal mudança.
Ficamos na idade que todos chamam de "com dor" pois aumentam nossos problemas de saúde, de modo que a toda hora uma dor nova nos acomete. E são remédios diversos que a maioria de nós quase nem consegue administrar e que, servindo a uma finalidade específica, podem ser administrados equivocadamente nos causando outros problemas de saúde ou efeitos colaterais.
E ficamos cada vez mais propensos a: ter menos paciência com os outros, a deixar "escorregar" da boca palavras que jamais desejaríamos haver dito, chorar por pouca ou coisa nenhuma, ter momentos depressivos, sermos mais ansiosos porque preocupados etc.
Êta etapa difícil essa chamada de melhor idade.
Marina I. Beatriz Polonio é escritora, em Cambé
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos devem ter de 20 a 30 linhas e serem encaminhados com telefone de contato para [email protected].





