Evidentemente, o perfil dos personagens para os quais um ator é escalado acompanha sua idade. Por isso, a partir de determinado momento, o intérprete passa por uma transição na carreira: deixa de dar vida a pai e mãe para encarnar avó, avô, tio e tia mais velha.
Algo que Ana Rosa, a Zuleica de "Boogie Oogie", encara com naturalidade. "Eu não tenho parado de trabalhar, felizmente. Agora, os papéis que aparecem são sempre de avó, tia-avó. Não posso mais fazer nem mãe de garotinho novo, tem de ser de adulto por causa da idade", constata, aos risos, a atriz de 72 anos e recordista de número de novelas no currículo – ela já participou de 61 tramas e entrou no "Guiness Book" como a intérprete que mais atuou em folhetins no mundo.
José de Abreu é outro que faz de tudo para trabalhar quase sem intervalos na tevê. Aos 68 anos, ele viveu personagens fortes recentemente, como o Ernest de "Joia Rara" e o Nilo de "Avenida Brasil". E encara a profissão como uma espécie de terapia para a idade. "É muito bom envelhecer fazendo novela porque é um exercício. Decorar texto é a melhor coisa que se faz para o cérebro não 'dançar', é exercício que se faz para velho", brinca ele, que está escalado para "Favela Chique", próxima trama de João Emanuel Carneiro. (L.B.)

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