E tudo transcorreu na mais perfeita paz e harmonia. Tanto com os artistas no palco quanto com o público que compareceu ao show ''Aquarela Brasileira'', realizado anteontem, no Recinto José Garcia Molina, da Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, e que reuniu quatro celebridades musicais Zé Luiz Mazziotti, Fátima Guedes, Lucinha Lins e Rosa Passos. Apoiados em uma banda de competentes músicos, liderados pelo guitarrista Marcos Teixeira, os cantores se revezaram durante quase duas horas de espetáculo.
Zé Luiz Mazziotti abriu o bloco das apresentações solos com uma versão intimista de ''Disritmia'', um dos sambas mais conhecidos de Martinho da Vila. Em seguida, Fátima Guedes, com sua voz cristalina, fez o público, estimado em cerca de 600 pessoas, parar e ouvir alguns de seus sucessos embora a maior empatia tenha sido com ''Tema de Amor para Gabriela'' (Tom Jobim). Mas foi Lucinha Lins a responsável pela quebra da sisudez que o espetáculo estava adquirindo.
Boas músicas, bela voz e tiradas bem-humoradas foram os principais ingredientes da apresentação de Lucinha. No auge da animação, alguém da platéia pediu que ela cantasse ''Purpurina''. E ela, rápida no gatilho: ''Eu não, não quero ser vaiada'', à reação nada cortês do público presente ao um festival de música, ocorrido no início da década de 80, quando a música interpretada por ela foi escolhida como a grande campeã.. Risadas gerais.
A performance da bela intérprete contribuiu, inclusive, para que Rosa Passos e público londrinense fizessem as pazes, depois do atrito ocorrido numa das apresentações da cantora e compositora em maio deste ano. Iluminada, a intérprete baiana saiu aclamada na apresentação solo que encerrou a noitada musical. O público, aliás, foi um show à parte polido, bem comportado mas participativo. Uma bela prova de que quem compareceu ao ''Aquarela Brasileira'' estava de fato interessado em ouvir boa música, enriquecer a cultura musical e não simplesmente fazer do encontro dos quatro artistas um evento meramente social.
O único tropeço da noite foi a demora de mais de duas para início do show. Mas bastou Zé Luiz, Fátima, Lucinha e Rosa subirem ao palco para que muitas pessoas parassem de olhar no relógio e se deixar de levar pela arte de quatro dos mais sofisticados artistas da MPB. Ponto para Londrina que teve essa oportunidade rara de ver tais preciosidades musicais reunidas numa só noite. E ponto também para o projeto Royal Golf in Concert, da Teixeira Holzmann Empreendimento Imobiliário que, às próprias custas, vem trazendo à cidade shows de categoria. Ano que vem tem mais. Ainda bem!!

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