ReproduçãoÉ incrível ver
a reação da
platéia: a cada
movimento do
rosto de
Nicholson o cinema
vem abaixo Por outro
lado, tanto
favoritismo pode
gerar uma zebraA categoria de melhor ator no Oscar de 1998 é curiosa: disputam quatro veteranos, Jack Nicholson, Robert Duvall, Dustin Hoffman e Peter Fonda, com o até pouco tempoatrás desconhecido Matt Damon. Se Fonda e Duvall se destacam com performances bem pessoais, é difícil não considerar Nicholson como o grande favorito da cerimônia, no dia 23, em Los Angeles.
É a 11ª indicação do ator para um Oscar, fato inédito para qualquer homem em Hollywood (Katherine Hepburn disputou 12 vezes o prêmio). Nicholson já ganhou a estatueta em 1975, por ‘‘Um Estranho no Ninho’’, e em 1983, por ‘‘Laços de Ternura’’, dirigido por James L. Brooks, que é o responsável por ‘‘Melhor É Impossível’’. Seu trabalho na comédia é surpreendente: um escritor maníaco compulsivo cheio de atitude e expressões faciais imbatíveis.
É difícil acreditar que outro ator conseguiria dar tanta vida a um personagem azedo, que acaba sendo adorado pelo público no final da história. Como Brooks observou, é incrível ver a reação da platéia: a cada movimento do rosto de Nicholson o cinema vem abaixo. Por outro lado, tanto favoritismo pode gerar uma zebra. O próprio ator lembra que em anos anteriores isso já aconteceu, como em 1995, quando ele concorria por ‘‘Questão de Honra’’, e em 1987, ano de ‘‘Ironweed’’.
Robert Duvall também tem grandes chances. Seu papel como um pastor evangélico em ‘‘O Apóstolo’’, que ele também escreveu, dirigiu e financiou, vem sendo considerado um dos melhores de sua carreira. O currículo do ator inclui um Oscar por ‘‘A Força do Carinho’’, de 1983, e indicações por ‘‘O Poderoso Chefão’’, de 1972, ‘‘Apocalypse Now’’, de 1979, e ‘‘O Grande Santini - O Dom da Fúria’’, de 1979. Isso sem contar participações marcantes em ‘‘As Cores da Violência’’, ‘‘Rede de Intrigas’’ e ‘‘Um Dia de Fúria’’. ‘‘O Apóstolo’’ foi o projeto em que ele mais se envolveu nos últimos anos, no qual ele procurou reunir todas as contradições e facetas de um homem que descobre a fé depois de cometer um crime de amor.
Peter Fonda, por sua vez, tem a seu favor a força da ‘‘reinvenção’’ de sua carreira, com o filme ‘‘Ulee‘s Gold’’, de Victor Nunez. O ator que para sempre vai ficar conhecido por seu papel em ‘‘Sem Destino’’, de 1969, passou os últimos anos participando de filmes inexpressivos, como ‘‘Um Amor e uma 45’’ e ‘‘Choque Mortal’’. Ele diz ter tirado parte da inspiração para o trabalho da convivência com seu pai, Henry. Deu certo: Fonda já ganhou o Globo de Ouro por sua atuação como Ulee Jackson e também deve conquistar parte dos jurados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que podem ceder à força do legado da família.
A sétima indicação para o Oscar veio em ótima hora para Dustin Hoffman, que poucos meses antes disse ter ficado com vergonha de sair de casa por conta do fracasso do filme ‘‘Mad City’’, de Costa-Gravas. Em ‘‘Wag the Dog’’ (que tem estréia prevista para o fim do mês no Brasil), o ator faz um papel diferente de quase todos os dos 30 anos de sua carreira: um superativo produtor de Hollywood que cria uma guerra falsa na mídia norte-americana para distrair a opinião pública de um escândalo sexual com o presidente. Seu trabalho seria inspirado no produtor Robert Evans, fato que Hoffman nega, mas que é quase impossível de não se perceber. O ator já levou estátuas para casa em 1979, por ‘‘Kramer Versus Kramer’’, e em 1988, por ‘‘Rain Man’’.
Por fim, o jovem ator no meio dos veteranos, Matt Damon. Aos 27 anos, ele é o novo queridinho de Hollywood, não só por sua história tipo conto-de-fadas (ator desconhecido emplaca roteiro de filme que acaba premiado), mas pelo seu talento na frente das câmeras. Ele já havia mostrado boas interpretações em ‘‘Coragem Sob Fogo’’ e ‘‘De John Grisham: O Homem Que Fazia Chover’’ (que estreou sexta-feira no Brasil).
Em ‘‘Gênio Indomável’’, dirigido por Gus Van Sant, ele transmite a segurança de quem passou cinco anos trabalhando na criação do personagem, um jovem problemático com habilidade para matemática. Ganhando ou não, Damon vai ficar em evidência por um bom tempo: em breve ele vai estar em ‘‘Saving Private Ryan’’, o novo filme de Steven Spielberg, e em ‘‘Rounders’’. Ele também está trabalhando em um novo roteiro, novamente em parceria com seu amigo de infância, Ben Affleck, com quem escreveu ‘‘Gênio Indomável’’.

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