Um astro em ascensão, dois respeitados nomes do ‘‘cinema de arte’’, um outsider e um dos homens mais poderosos de Hollywood. A categoria de melhor ator do Oscar 2001 é uma das mais variadas da premiação, com a disputa de Russel Crowe (‘‘Gladiador’’), Ed Harris (‘‘Pollock’’), Javier Bardem (‘‘Antes Que Anoiteça’’), Tom Hanks (‘‘Náufrago’’) e Geoffrey Rush (‘‘Contos Proibidos do Marquês de Sade’’).
Crowe, que desde que trabalhou em ‘‘Gladiador’’ e ‘‘roubou’’ Meg Ryan de Dennis Quaid se tornou um dos nomes mais quentes do cinema, tem boas chances de levar a estatueta. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood pode reconhecer o potencial do filme e do australiano, que havia sido elogiado em ‘‘Los Angeles: Cidade Proibida’’ e ‘‘O Informante’’ (pelo qual concorreu ao Oscar de ator coadjuvante).
O ator simboliza o sucesso hollywoodiano exatamente da maneira que a Academia gosta: é um herói de ação com substância - e muito poder de mercado. E sua fama de conquistador (ele já teria tido relacionamentos com várias atrizes do primeiro time) pode adicionar ainda mais simpatia à indicação.
Se o sucesso nos circuitos dos festivais internacionais servir de influência na hora do voto, a briga pode ficar entre Harris e Bardem. O primeiro fez da biografia de ‘‘Pollock’’ seu projeto durante quase dez anos, período em que pesquisou com intimidade a vida do pintor abstrato americano.
Harris realizou um filme correto, mas com poucas inovações. Ainda assim, conseguiu mostrar um retrato bem convincente do artista. Esta pode ser a chance dele levar o Oscar, depois de ter concorrido por ‘‘Apolo 13’’ e ‘‘O Show de Truman’’ - um filme que ele odiou ter feito.
Bardem, que já tinha uma respeitada carreira na Espanha, ganhou a ótima chance de participar do segundo filme de Julian Schnabel (de ‘‘Basquiat’’), fazendo o papel do poeta cubano Reinaldo Arenas, perseguido pelo regime de Fidel Castro nos anos 70.
A indicação de Hanks para o que pode vir a ser o seu terceiro Oscar tem sabor institucional. O status intocável do ator evitou críticas muito severas a ‘‘Náufrago’’, cuja maior conquista é o fato de o ator ter emagrecido 30 quilos durante o processo.
O azarão do time é Rush, que já ganhou o Oscar por ‘‘Shine - Brilhante’’ e que fez um ótimo trabalho como o torturado Marquês de Sade. Seu problema este ano é realmente a concorrência: seu trabalho já foi reconhecido, seu nome não é mais novidade no mercado e o filme não ganhou a atenção que merecia nos Estados Unidos.

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