Acústico, melancólico e ‘‘mais Milton Nascimento’’. Assim será o novo disco do cantor e compositor mineiro, segundo definição do seu produtor, o americano Ross Titelman, também vice-presidente da gravadora Warner. Com lançamento previsto para março do próximo ano, o novo trabalho de Milton deverá soar como o antigo ‘‘Miltons’’.
Titelman conta que, ao combinarem a realização do projeto, pediu ao cantor que fizesse ‘‘um disco de Milton e não de jazz’’. O que Milton respondeu? ‘‘Bem, ele não é de falar muito’’, brincou o produtor. ‘‘Mas disse que iria pensar a respeito’’. Pelo andamento dos trabalhos, Titelman tem certeza de que Milton pegou o espírito da coisa. ‘‘Não sei se o que falei fez algum efeito em especial, mas o som está saindo como imaginava’’.
O produtor sabe das coisas. Entre seus recentes trabalhos estão ‘‘Tears in Heaven’’ e ‘‘Unplugged’’, ambos de Eric Clapton, que renderam para Titelman o Grammy de disco do ano e álbum do ano, respectivamente. O mais recente CD do guitarrista, ‘‘From the Cradle’’, também foi produzido por ele, que já realizou discos de Ry Cooder, James Taylor, George Harrison, Chaka Kahn, Paul Simon e David Sanborn, entre outros.
Parceria antiga Com Milton Nascimento, sua parceria é antiga. Produziu, em 1993, uma faixa de Angelus (‘‘Only a Dream in Rio’’, com participação de James Taylor) e, desde aquela época, haviam combinado trabalhar juntos em um disco inteiro. Foi para isso que o produtor de 52 anos veio ao Brasil em outubro. Em seis dias, ele e Milton gravaram nove músicas, entre elas, ‘‘Ana Maria’’, que o saxofonista Wayne Shorter (amigo de Milton) dedicou para sua mulher, que morreu no acidente com o avião da TWA que explodiu.
‘‘‘Angelus’ tinha estilos diferentes em cada faixa, principalmente jazz’’, descreveu. ‘‘O novo disco é mais folk, vem mais de dentro do coração.’’ Na opinião de Titelman, a pitada mais melancólica se deve ao atual estado emocional de Milton, ainda abalado com a morte recente do seu empresário.
Fã declarado do cantor, o produtor elege ‘‘Miltons’’ como seu disco preferido por considerá-lo ‘‘muito romântico, com lindas melodias’’. ‘‘Estou tentando fazer um disco mais espontâneo e Milton parece feliz no estúdio’’, contou ele, que se disse empolgado com a forma com que a percussão - ‘‘feita por um pessoal de Minas’’ - está sendo utilizada.
Titelman, há 25 anos executivo da gravadora, se sente mais confortável como produtor por ser um trabalho ‘‘mais criativo’’. ‘‘Fiquei em estúdios a maior parte da minha vida, é isso o que sei fazer’’.

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