Melancolias e alegrias africanas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de novembro de 1998
José Luiz PederneirasZeca Corrêa Leite 
O Grupo Corpo está em Curitiba para contar uma história de dor e alegria. Benguelê, o espetáculo que será apresentado somente hoje no Guairão, trata de um tema secular - o sentimento de saudade e perda, alimentado por gerações de infelizes, povos feito escravos ainda em Benguela, e mandados para a inóspita vida brasileira. A sobreposição das décadas acaba amenizando o banzo e o que finalmente resta é a esperança, motivo para novas alegrias.
Tendo como trilha sonora a música de João Bosco, o coreógrafo Rodrigo Pederneiras trabalha com cores turvas e cristalinas, para contar em formas e movimento o que é Benguelê. Vai além-mares, se aprofunda nas raízes nacionais e traz para a superfície o mais novo trabalho do mais importante grupo do moderno balé brasileiro.
Benguelê passa por Curitiba - a quinta das seis cidades nesta primeira temporada - em direção a Belo Horizonte. Como toda apresentação do Corpo transforma-se em evento, a expectativa é das maiores. Há anos Pederneiras surpreende público e crítica com montagens ousadas e marcantes.
José Luiz PederneirasRodrigo Pederneiras
surpreende com montagens
ousadas e marcantesDepois da fantástica criação de Bach (96), veio Parabelo (97), um mergulho na intensidade nordestina, com música de Tom Zé e José Miguel Wisnik. Agora é a vez da negritude africana, brasileira, com algumas passagens de outros sangues na mistura final.
A peça dura pouco mais de 40 minutos. João Bosco compôs uma trilha dividida em 11 temas, e presta algumas homenagens explícitas. Percebe-se em Tarantá, Carreiro Bebe e, especialmente, em Benguelê a sua reverência a Clementina de Jesus. Também Pixinguinha está lá.
A Sony Music aproveita a temporada para lançar o CD com os 14 temas originais de Bosco. O compositor participa tocando violão acústico e no vocal ao lado de Jacques Morelembaum (violoncelo), Osvaldinho do Acordeon (acordeon), Proveta (sax e clarineta), Ricardo Silveira (viola de 12 cordas e violão de aço), Nico Assunção (contrabaixo). Robertinho Silva e Armando Marçal (percussão), além do tenor Sandro Assunção. Enfim, um programa para se ver e ouvir.
Benguelê - novo espetáculo do Grupo Corpo. Coreografia de Rodrigo Pederneiras, sobre música de João Bosco. A primeira parte é dedicada a Parabelo, estréia de 1997. Somente hoje no Guairão, às 21 horas. Ingressos a preço único: R$ 30,00.


