Meio ambiente em primeiro lugar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de novembro de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
O que está acontecendo com o Peixe-Boi? O que faz a Fundação SOS Mata Atlântica? O que é couro vegetal? Como vivem as mulheres indígenas do Alto Rio Negro? São algumas perguntas que podem ser respondidas aqui mesmo em Curitiba. A loja EcoBRasilis, de produtos exclusivamente ecológicos, reúne num pequeno espaço mais de dez projetos ambientais das mais diversas regiões brasileiras.
A proposta do ecologista Hilton Luis Guimarães Malheiros, da mulher dele Ana Cristina Cardoso Lemos e da irmã estilista Dione Malheiros (todos trabalham na loja) é apresentar os projetos desenvolvidos pelas Organizações Não-Governamentais, informar aos turistas e estudantes sobre esses projetos, o que produzem e que causas abraçam.
Para facilitar o acesso das pessoas à essas informações, a EcoBRasilis está montada na Estação de Embarque da Serra Verde Express, que faz os passeios de trem e de Litorina para o Litoral do Paraná na ferrovia que corta a Serra do Mar.
Na alta temporada, segundo Hilton Luis, passam pela Estação cerca de 15 mil pessoas por mês. Chegam turistas de todas as partes do mundo e aqui conhecem o que as ONGs estão fazendo, compram produtos ecológicos e podem levar vídeos, livros, CDs, para mostrar o que viram. Além disso, recebem informações sobre o passeio que estão para realizar, o que é a Mata Atlântica, as espécies que a habitam, as dificuldades em preservá-la, confere.
A loja funciona há pouco mais de um ano. Foi inaugurada no Dia Mundial do Meio Ambiente, cinco de junho. Tivemos dificuldades para conseguir o alvará junto à Prefeitura por ser a primeira loja de produtos ecológicos - produtos que, desde a extração da matéria-prima até o produto final, passando pelo processo de produção, não agrediu o Meio Ambiente e possibilitou o resgate sócio-econômico da comunidade, explica Malheiros.
Ampliando o projeto de educação ambiental, a EcoBRasilis está organizando um intercâmbio entre escolas de Curitiba e de Morretes. Para esse programa a loja conta com o apoio de instituições como a Universidade Livre do Meio Ambiente, secretarias municipal e estadual do Meio Ambiente, e Instituto Ambiental do Paraná. Essas instituições vão cooperar fornecendo material gráfico como folders explicativos e informações sobre os projetos ambientais brasileiros.
Da Fundação SOS Mata Atlântica, de São Paulo, a loja tem camisetas promocionais da campanha Faça Parte da Paisagem. A embalagem traz também um folheto sobre a Fundação e um formulário para novos sócios. Um dos produtos que mais chama a atenção na EcoBRasilis é o couro vegetal, do Projeto Couro Vegetal da Amazônia, feito no Acre. O treepat é uma tela de algodão estirada, banhada com látex líquido da Seringueira e que passa por um processo de defumação e vulcanização. O produto final é bonito, leve, macio e altamente resistente.
Em tons de marron, o treetap é usado em vários tipos de bolsas. O projeto foi desenvolvido para evitar que os índios abandonassem a região e para que a comunidade tivessem uma alternativa de trabalho. Os beneficiários diretos desse projeto são os índios Kaxinawa e seringueiros. O couro vegetal é enviado para o Rio de Janeiro para que sejam confeccionadas as pastas, bolsas, carteiras.
As cestarias indígenas são feitas pela comunidade indígena Pupunha, do Rio Içana, na Amazônia, que participam da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro. A formação étnica dessas pessoas é Baniwa. O trabalho usa fibras e pigmentos naturais.
Retratando formas da floresta, os tapetes e jogos individuais de almoço de fibra arunã têm desenhos de cobras e de outros animais. As tapeceiras são do Pará, do Projeto Fibrarte. Como pigmento é usado o caldo da goiaba de anta, que em processos diferentes produzem as colorações verde e vermelho.
Os vídeos de Educação Ambiental, da Associação Super Eco (SP) usam o personagem Yandú de Mãmãndugé - pássaro raro da Mata Atlântica - para contar a história da floresta e ensinar a preservá-la. Também em vídeo é o produto da Fundação Mamíferos Marinhos, de Pernambuco. Camisetas e adesivos chamam a atenção para a preservação do Peixe-Boi.
Complemtam os produtos da loja, os CDs acústicos Floresta Atlântica e Soundscapes Costa Rica, de Beto Bertolini; CD de rituais indígenas Etenhiritipá do Núcleo de Cultura Indígena (SP), com cantos da tradição Xavante; os lápis de cor feitos pelo artesão Orlando, usando gravetos de podas de árvores: o livro de fotografia O Paraná de Carlos Renato Teixeira; além de bijuterias feitas de couro de rã e de tilápia, e de fibra de côco.
Na compra de cada produtos, o consumidor recebe informações sobre cada um dos projetos. Ouvem uma histórinha de cada objeto e ainda sobre a Mata Atlântica, que vão conhecer. Os turistas estrangeiros são os que mais se interessam sobre os projetos e gostam de levar livros, fotos para mostrar no seu país de origem. Os professores também são, em geral, muito interessados, afirma Dione.


