Milhares de mãos na terra, um milhão de novas mudas de árvores plantadas em todo Paraná em um único dia. Essa foi a maneira escolhida no Estado para comemorar o Dia Mundial da Água na última segunda-feira. Árvores nativas foram plantadas próximas a rios e vales para reflorestar a mata ciliar, responsável pela proteção do solo e também das águas. O número de mudas plantadas é considerado recorde mundial. Até então, o maior número de árvores plantadas em um dia era de 24.159, ocorrida em Guaratinguetá (SP).
O idealizador do Programa Mata Ciliar é o secretário estadual do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida. Ele explica que assim como os cílios protegem nossos olhos, a mata ciliar protege os rios. ''As raízes das árvores funcionam como uma espoja segurando a terra. Se a mata está devastada, a enxurrada carrega o solo para dentro do rio'', descreve. Por isso, ele salienta que a maneira mais inteligente de se ter uma água de boa qualidade é conservar a mata ciliar, que também proporciona um aumento na vazão das águas nas nascentes e rios por fazer o lençol de água subir.
Conscientes da importância da preservação, estudantes de várias escolas do Paraná deram sua contribuição. Em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), estudantes de 6 e 7 séries do Colégio Estadual Maria Cintra ajudaram a plantar 2,5 mil mudas às margens do rio Apucaraninha. ''Estamos recuperando a natureza'', apontou Elton Pereira dos Santos, 16 anos. Fabiana de Paulo, 14 anos, comenta que o melhor foi jogar a terra após o plantio da muda. ''É uma maneira de preservar. Como que a gente vai ficar quando estiver calor? É melhor ter uma árvore para ficar embaixo dela'', garante.
Acostumada à atividade de plantar, Olinda Francesca da Silva Stein, 16 anos, estava animada. ''Já ajudei a plantar café e árvores do pomar lá no sítio onde moro. Gosto de mexer com a terra, ajuda na disposição física e também a natureza'', sentencia. E ela dá um ''puxão de orelha'' em quem fica parado com as mãos cruzadas. ''É preciso contribuir mais, seria terrível viver onde não tem árvores''.
Jéssica Araújo, 12 anos, também já plantou árvores em sua casa. Mas a segunda-feira teve um gostinho especial: ''Foi bom porque todo mundo plantou''. Preocupada com o futuro, Jéssica teme que possa faltar água. ''É importante cuidar da natureza porque mais para frente pode não haver água e eu já vou estar mais velha'', aponta. Sua amiga, Jéssica Fabiano, 14 anos, nunca tinha plantado árvores antes. Para ela, a diversão também ficou por conta da turma que se reuniu na empreitada. ''Todos têm que se preocupar, ainda mais nós que estamos estudando'', observa.
O secretário da agricultura e meio ambiente de Tamarana, Hélio Braz Ferreira, conta que a preservação do Apucaraninha vem sendo feita desde 2000 com o reflorestamento da mata. Mudas de cedro, ipê e peroba estavam entre as escolhidas para o Dia Mundial da Água em Tamarana.
Em Londrina, o dia foi celebrado com o plantio de mais de 10 mil mudas. O Ribeirão Cafezal recebeu mil mudas, 2,5 mil foram destinadas para propriedades rurais de Guaravera e outras sete mil foram distribuídas a 70 escolas da rede estadual. Os estudantes daqui também colaboram com a natureza.
Apesar de ser considerada recorde, a quantidade de mudas plantada está longe de resolver o problema. Cheida diz que a intenção do programa é plantar 90 milhões mudas em três anos. ''Essas 90 milhões representam apenas 5% do Estado. Estamos muito aquém do que necessitamos'', relata. Ele explica que as regiões Noroeste e Norte do Estado são as que possuem menos cobertura florestal. ''Para ter idéia, no noroeste do Estado o rio Ivaí joga no rio Itaipú 2 milhões de toneladas de solo por ano'', exemplifica.
Para Cheida, a sensibilização da sociedade foi um dos incentivos para comemorar o do Dia Mundial da Água plantando mudas. Mas ele acrescenta: ''Não devastar é tão importante quanto plantar''.

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