Na data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente e que, infelizmente, constatamos tantos exemplos negativos de desrespeito ambiental, a Escola Aliança de Londrina é destaque pela idéia de fazer uma vivência com os alunos aproveitando um bom exemplo de preservação existente na cidade.
Na última quinta-feira, cerca de 70 alunos da pré-escola à quarta série do Ensino Fundamental visitaram o Parque Dr. Daisaku Ikeda e puderam constatar que é possível cuidar e respeitar a natureza, além sentir o prazer de viver um aprendizado prático fora da sala de aula.
O projeto pedagógico da escola para este anos é baseado no livro ''Viver é Conhecer Londrina'', de Magda Tuma, e editado pela FTD. O projeto está sendo todo direcionado para a visita de alguns pontos turísticos de Londrina destacados no livro. ''Queremos que o nosso aluno perceba que é parte da história e valorize a sua região. Muitos dos locais que visitamos, os alunos nem sabiam que existiam. Infelizmente, muitos pais só se dispõem a levar seus filhos aos shopping centers'', comentou a professora Angela Maria da Silva Ribeiro, que coordena o projeto ''Conhecendo Londrina''.
No início do passeio, os alunos se encantaram com as diversas espécies de árvores que embelezam o local, principalmente o imenso pé de manga que ganhou até um carinhoso abraço gigante dos alunos. No pé de cada tronco, plaquinhas explicativas com o nome das árvores, o que torna ainda mais didática a visita. Os alunos também contaram com explicações detalhadas fornecidas pela monitora Larissa de Souza Lança, estagiária da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), que é disponibilizada para as escolas que agendam as visitas no local.
Em uma grande área verde, onde de 1947 a 1980 funcionou a Usina Três Bocas, uma das primeiras da região, os alunos puderam respirar ar puro e encher os olhos com a queda d'água que durante muitos anos fornceu energia a muitos moradores da nossa cidade. Demonstrando conhecimento de causa, quando questionados se sabiam o que era mata ciliar, os alunos rapidamente responderam que é a mata presente nas margens dos rios com a função de preservar os rios e evitar o assoriamento dos mesmos. Com tristeza, puderam constatar que a mata ciliar da represa que corta o parque não está nas condições ideais, mas ficaram mais aliviados ao saber que providências já estão sendo tomadas para a sua recuperação.
Tendo sido realizado anteriormente à visita um trabalho de conscientização sobre a importância da preservação do meio ambiente, os alunos fizeram várias perguntas e puderam saciar muitas dúvidas. ''Com essa prática, eles associam as diversas informações que receberam e a avaliação não fica baseada somente no que viram no livro. A opinião do aluno é valorizada'', afirmou Angela.
Um dos momentos mais divertidos do passeio foi a chance que tiveram de subir no ponto mais alto do mirante do parque, que tem cerca de 15 metros de altura. Com o sorriso largo do prazer da aventura, os alunos se deliciaram com a paisagem que puderam avistar lá de cima. Munidos com câmeras fotográficas, não deixaram de registrar o momento.
O aluno Wilson Alves da Silva Jr., de 9 anos, disse que ficou muito feliz em saber que um dia uma pessoa se interessou em fundar esse parque para preservar o local. ''Imagino que essa pessoa era muito gentil por pensar nisso e ter tanto cuidado com o parque. Eu gostei muito de vir aqui. É bom demais poder aprender coisas legais fora da sala de aula'', acrescentou.
Sua colega Bianca Coronado Ferreira, de 10, destacou a beleza natural do local: ''Vimos muitas árvores e basta a gente querer para poder preservar. É gostoso passear em um lugar bonito como esse e parece que as informações ficam mais guardadas na memória''.
A estagiária da Sema, Larissa, ressaltou a questão visual do parque e valorizou a iniciativa da escola de trazer as crianças para conhecer pessoalmente o local. ''Esse tipo ação desperta a curiosidade das criança para aprofundarem as informações. Nesse contato direto, também têm a oportunidade de fazer muitas perguntas e isso reforça o aprendizado. É muito importante investir na conscientização das crianças'', afirmou.
A professora Kennia Mallet argumentou que o trabalho de conscientização ecológica que vem sendo realizado na escola extrapola a questão de ''jogar o lixo no lixo'' e economizar água. ''Muitas vezes esses temas são jogados no ar e o aluno não vê ligação com a realidade dele. Procuramos proporcionar situações de vivência, que são mais ricas e tornam possível a ponte entre a teoria e a prática''.
Com o objetivo de construir uma ''educação para vida'', a professora pontuou o quanto os alunos ficam motivados nesse tipo de atividade e que não faltam argumentos e criatividade na hora de elaborarem redações sobre o que viram e vivenciaram. ''O fato de saberem que esse parque existe pela iniciativa de uma pessoa também os motiva. Percebem que esse tipo de atitude de preservação não é utópico nem inatingível. Se alguém fez, concluem que também podem fazer'', concluiu.

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