MEIO AMBIENTE - A vida no fundo do mar
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Quando o Programa Nacional de Conservação de Tartarugas Marinhas, o Projeto Tamar, foi criado no início da década de 1980 não havia ainda uma preocupação tão grande com o meio ambiente. À época, tartarugas já integravam a lista de espécies em extinção e estavam desaparecendo muito rápido em função da captura em atividades de pesca, matança das fêmeas e coleta de ovos na praia. Mais de trinta anos depois, o projeto, agora, tem reconhecimento internacional como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha, tendo formado uma geração pioneira de ambientalistas no País.
Além da pesquisa, conservação e manejo de cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, o projeto envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho socioambiental, protegendo mais de mil quilômetros de praia em 25 localidades em áreas de alimentação, desova, em nove estados do Brasil. Portanto, mais do que a atuação direta na preservação marinha, uma das partes mais importantes do projeto é fomentar o papel das comunidades litorâneas nas quais está presente e da sociedade civil em geral, que participa e colabora com o projeto, individual e coletivamente.
Foi em uma visita a uma das sedes do projeto, em Ubatuba, litoral de São Paulo, que a coordenadora pedagógica da Escola Batista Americana de Londrina, Ana Paula Lima, se deparou com uma iniciativa simples, mas que poderia despertar muita consciência ambiental nos alunos. "Lá no projeto, existe uma sala que, de forma lúdica, recria o fundo do mar. O cenário é todo produzido com materiais recicláveis e o resultado foi incrível. Trouxe a ideia para cá e, junto com as demais professoras, pensamos em como poderíamos fazer algo parecido na escola", lembra.
A escola, que oferece ensinos infantil e fundamental, possui em seu Projeto Político Pedagógico (PPP), de forma fixa, o tema meio ambiente. Dessa maneira, o fundo do mar, com enfoque nas tartarugas marinhas, ganhou força e começou a ser desenvolvido em fevereiro deste ano. "O próprio projeto disponibiliza uma apostila em que traz o assunto de forma pedagógica, a ser trabalhado em sala de aula mesmo. Isso nos auxiliou na introdução do embasamento teórico, que foi realizado no início do ano letivo e segue até hoje de maneira interdisciplinar, trazendo para nossa realidade. Logo em seguida, iniciamos as atividades práticas."
Ela explica que toda a escola foi mobilizada, bem como a família, para a arrecadação de materiais recicláveis. "Pedi que trouxessem todo tipo de garrafa pet e alguns outros específicos. A equipe pedagógica também foi atrás de materiais em cooperativas de coleta de lixo seletiva. Essa parceria trouxe um outro olhar para as crianças do que é lixo e seu reaproveitamento." Com todo esse engajamento, segundo a coordenadora, deu-se início ao princípio básico de conscientizar os alunos e a comunidade escolar sobre a necessidade de se construir uma prática social baseada na preservação do ambiente e de como o lixo, se descartado de maneira incorreta, interfere na vida animal.
Mãos na massa, as crianças começaram a fabricar os elementos que compõem o fundo do mar, como anêmonas, ouriços, peixes, conchas e outros seres marinhos. Cortaram, pintaram, colaram vários dos materiais recolhidos e o ambiente foi ganhando vida. "Os alunos do quinto ano produziram uma grande tartaruga marinha, feita com a técnica de papel machê", destaca. Mais do que um ambiente diferente, a proposta da escola é, portanto, despertar a consciência ambiental e a importância da população nesse processo. "Para estarmos no mundo é necessário que cuidemos dele, não poluindo e criando formas de efetivar ações e atitudes de respeito e preservação ao meio ambiente. Esse projeto tem feito que os alunos reflitam sobre isso."
Em vias de terminar a produção, os alunos se preparam para a montagem efetiva do fundo do mar que será feita nos ambientes da própria escola. "Além do espaço todo montado, teremos um dia especial com a participação de alunos do curso de Biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que estarão na escola explicando várias curiosidades sobre os animais marinhos", diz a coordenadora, acrescentando que, neste dia, animais marinhos reais entalhados também estarão em exposição.


