Nos últimos 50 anos foi a mesma polêmica. Por que um estudante deveria se filiar à União Nacional dos Estudantes (UNE), à União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), à União Estadual dos Estudantes (UEE) ou à União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes) para poder pagar meia entrada em eventos culturais? A legislação asseguraria esse direito aos estudantes ou aos afiliados dessas entidades?
No último dia 17 de agosto, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, anunciou que o governo iria estender o benefício da meia-entrada em eventos culturais e esportivos - concedido a estudantes - à toda população com menos de 18 anos. O governo editou uma medida provisória (MP) estabelecendo que para ter acesso a esse benefício, basta a apresentação de documento de identidade comprovando a menoridade. A medida acaba com o monopólio da UNE, da Ubes, da UEE e da Umes na emissão de carteiras estudantis, que arrecadavam cerca de R$ 15 milhões com esse serviço. Só a UNE, por exemplo, emite 600 mil carteiras por ano, a um preço médio de R$ 15.
Segundo o ministro Paulo Renato, a extensão do benefício só ocorre em estabelecimentos que já oferecem descontos a estudantes. Ele também lembrou à imprensa que noventa por cento da população com 17 anos ou menos já está na escola, sendo que o restante são trabalhadores ou pessoas carentes. Apesar da a MP já ter sido editada, o ministro anunciou a possibilidade de aprimorar o texto para deixar clara a extensão do benefício a todos os menores de 18 anos. Isso só deverá ser feito, segundo o ministro, na reedição da MP.
Entretanto, apesar de os menores de 18 anos estarem comemorando a atitude do ministro, os diretores da UNE e da Ubes não estão tão convictos dos benefícios da MP. A cobrança para a emissão das carteiras representa 90% dos recursos arrecadados pela UNE. Para o tesoureiro da entidade, André Coutinho, o ministro pretende acabar com as entidades estudantis. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que controla a UNE e a Ubes, já antecipou até que pretende interpelar judicialmente o ministro da Educação. Manifestações foram marcadas e a polêmica deve render muitos recursos judiciais, pois apesar da existência de uma lei federal versando sobre a meia-entrada, há leis estaduais voltadas a esse benefício, como ocorre nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraíba, Rio de Janeiro e Paraná (lei nº 11.182, de 23 de outubro de 1995).
Mesmo que a MP não fosse editada, a UNE e a Ubes podiam estar próximas à perda da exclusividade da carteirnha. O deputado federal Jaques Wagner (PT-BA) apresentou, em 1997, projeto de lei para conceder o direito de meia-entrada em casas de espetáculos a menores de 21 anos. Se aprovada, a proposta dispensaria a carteira da UNE e Ubes. Entretanto, quem tiver essas carteirinhas, ainda pode usá-las, garante o ministério da Educação, já que a intenção da MP, segundo o governo, foi democratizar o acesso a esse benefício.

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