Ela é a rainha das comédias românticas, mas quer tentar dar uma virada em sua carreira. Mesmo reunindo poucos fracassos entre seus 26 filmes, Meg Ryan pretende deixar de lado a imagem de boa moça para ganhar credibilidade como ‘‘atriz séria’’. Aos 37 anos, ela está de volta com dois filmes neste fim de ano, ‘‘You’ve Got Mail’’, que relembra os tempos de ‘‘Sintonia de Amor’’, e ‘‘Hurlyburly’’, em que faz o papel de uma drogada.
Ryan está empenhada em mostrar que, na vida real, tem pouco a ver com as personagens doces que representou em filmes como ‘‘Harry e Sally’’ e ‘‘Surpresas do Coração’’. Tanto que para aparecer na capa da edição de dezembro da revista ‘‘Harper’s Bazaar’’, pediu para investir em uma imagem mais sexy: ela aparece usando uma jaqueta aberta, sem nada por baixo, mexendo no próprio seio com a mão direita. Apesar de estar promovendo ‘‘You’ve Got Mail’’, Ryan quer provar o mais rápido possível que é uma profissional versátil. Ela tem planos de estrear na direção, fazer filmes de época e produzir dramas, tarefa que pode não ser muito fácil para a loura mais querida dos Estados Unidos.
Para tentar evitar a rejeição experimentada por Julia Roberts (que viu seus filmes ‘‘sérios’’ fracassar nos cinemas americanos e só foi bem recebida ao recuperar o espírito e o cabelo de ‘‘Uma Linda Mulher’’ em ‘‘O Casamento do Meu Melhor Amigo’’), Ryan vem tentando papéis variados nos últimos tempos. De 1996 para cá, ela apareceu em ‘‘Coragem Sob Fogo’’, ‘‘A Lente do Amor’’ e ‘‘Cidade dos Anjos’’, em que fez papéis bem distintos. Agora é a vez de voltar a trabalhar com Tom Hanks e a diretora Nora Ephron, com quem Ryan fez ‘‘Sintonia de Amor’’. O filme, um remake da comédia ‘‘The Shop Around the Corner’’, de 1940, é sobre os donos de duas livrarias concorrentes que acabam se apaixonando por meio da Internet.
Embora esteja recebendo elogios por mais um bom trabalho em uma comédia romântica (Ryan frequentemente é comparada com Lucille Ball, por conta das improvisações que faz no set), ela está mais preocupada com a reação de sua pequena participação em ‘‘Hurlyburly’’. ‘‘Estou muito satisfeita que os dois filmes estão estreando na mesma época’’, disse ela à ‘‘Bazaar’’. No filme de David Rabe, ela é uma viciada que faz sexo oral na frente da filha de seis anos e é jogada para fora de um carro em movimento pelo ator Chazz Palminteri. Ela aparece ao lado de nomes de peso do cinema atual, como Sean Penn e Kevin Spacey. ‘‘Boa parte dos filmes que fiz nos últimos anos são como contos de fadas, mas eles são tão leves que desaparecem no ar’’, diz ela. ‘‘Fico muito apreensiva em ver isso acontecer, por isso é que quero evitar comédias românticas por uns tempos.’’
No ano que vem, a atriz, casada com Dennis Quaid e mãe de um menino de seis anos, vai desafiar seu público. Ela vai aparecer em um drama, ainda sem título, sobre a crise de um casamento, escrito pelo roteirista inglês Frederic Raphael, e em um filme sobre três irmãs, estrelado por Diane Keaton e Lisa Kudrow (de ‘‘Friends’’). Por meio de sua produtora, Ryan pretende atuar em um filme sobre a vida da poeta Sylvia Plat, projeto que já ganhou críticas da azeda escritora Camille Paglia (‘‘A mulher que é o modelo da boazinha, que fez as americanas voltarem 20 anos no tempo, vai interpretar a mulher que nos ajudou a ir para frente?’, disse ela). A atriz diz não se importar com os comentários de Paglia ou de qualquer outra pessoa. ‘‘Nunca penso no que os outros acham de mim, não tenho esse tipo de conversa na minha mente’’, diz.
Na vida pessoal, Ryan tem pouco do que se imagina ser o dia-a-dia de uma grande estrela de Hollywood. Dedicada à família e preocupada em produzir filmes ‘‘com significado’’, ela pratica yoga e meditação e é devota da indiana Gurumayi, uma líder espiritual que tem centros em vários lugares dos Estados Unidos. ‘‘Não gosto de sentir que meus pés não estão no chão’’, diz. ‘‘Talvez eu faça apenas mais um ou dois filmes no futuro, ou talvez não faça mais nenhum. Estou muito interessada em outras coisas.’Arquivo FolhaMeg Ryan: ‘‘Boa parte dos filmes que fiz nos últimos anos são como
contos de fadas, mas eles são tão leves que desaparecem no ar’’Guto Barra
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