Medusa literária
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de novembro de 1998
Nelson Sato 
É de poesia a mais nova publicação curitibana. Medusa estréia no mercado editorial com um abundante recheio, que inclui já nas primeiras páginas um longo depoimento do poeta maldito Glauco Mattoso.
A revista é editada por Ricardo Corona, agitador das hostes literárias locais e responsável pela organização da antologia poética Outras Praias / Other Shores - 13 Poetas Brasileiros Emergentes, lançada recentemente pela editora Iluminuras.
Mattoso é o grande destaque, contemplado não apenas com a entrevista mas com a publicação de seus poemas, epígrafes satíricas e histórias em quadrinhos; além de ter sua obra analisada num ensaio assinado pelo estudioso da literatura e cultura brasiliera David Willian Foster.
De linhagem também incômoda, o espanhol Marcial (40 d.C) é apresentado aqui por Rodrigo Garcia Lopes com o título um poeta sem meias palavras. Marcial foi mestre em epigramas, poemas curtos que tiveram auge na época da Roma Antiga satirizando seus valores, costumes e a vida pública em geral. A revista reúne alguns de seus versos.
Mais adiante, há um bate-papo sobre poesia contemporânea do qual fazem parte o próprio Corona, o já citado Rodrigo e o carioca Antonio Cícero. A conversa gira em torno da antologia organizada pelo primeiro. Completam o cardápio da revista uma miniantologia da poesia de Joca Reiners Terron, três contos de Marília Kubota, desenhos de Newton Goto, um texto sobre a arte orgânica e o pensamento visionário de Jardelina da Silva e a foto de uma instalação da artista plástica Yiftah Peled.


