MEDUSA COMEMORA DOIS ANOS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de junho de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Quem disse que os poetas são notívagos atormentando a madrugada? Um grupo de poetas, músicos, artistas plásticos, designers e todos aqueles interessados em arte estarão hoje, a partir das 20h30, comemorando os dois anos da revista Medusa, publicação bimensal editada em Curitiba pelo poeta Ricardo Corona e pela artista plástica Eliana Borges, voltada às artes, especialmente literatura. O evento acontecerá na Arcádia Espaço Cultural e Livraria (Rua 13 de Maio, 611, esquina com a Rua Mateus Leme, em Curitiba).
A confluência das várias linguagens artísticas estará representada no cenário de Eliana Borges, onde poetas declamarão seus textos, como o paulistano Marcelo Montenegro e Dennis Raduz, de Joinville (SC). Rodrigo Garcia Lopes e Corona dividirão a performance com o Grupo Fato, que fará uma espécie de cama sonora para as palavras. Em outros momentos acontecerá um diálogo entre a literatura e a música, conforme a tecladista Grace Torres:
A gente acompanha a intenção da interpretação do poeta, cresce, recua com ele. Talvez façamos alguma coisa com Alice Ruiz e Ademir Assunção, que está vindo de São Paulo para o evento.
A festa marcada ainda pelo lançamento do Medusário, edição especial da revista reflete a própria Medusa que, segundo Corona, surgiu para ser um veículo que juntasse pessoas criativas e fosse uma espécie de movimentação. Outro bom motivo a ser comemorado é a aprovação pela Lei Rouanet do projeto cultural que viabilizará sua continuidade. Estamos procurando patrocinadores, diz o editor.
O incentivo financeiro possibilitará a edição de mais 12 números ou dois anos de periodicidade encontrados nas livrarias de todo o País. Como atrativo aos empresários, Corona argumenta que a publicação goza de grande prestígio pela sua qualidade editorial e, por ser bimensal, o marketing cultural praticamente será contínuo. A marca do patrocinador estará reproduzida em todos os números da Medusa nesses dois anos, observa.
Os dois primeiros números de Medusa tiveram distribuição local, mas já no terceiro passou a contar com o apoio da editora Iluminuras, e ganhou o Brasil. Seu crescimento histórico é bem interessante. A revista não é um golpe publicitário, nem é uma coisa que nasceu do nada e se vira com um logotipo, analisa Corona.
Ela deslocou a tradicional discussão das revistas literárias do eixo, acrescenta o poeta Rodrigo Garcia Lopes, membro do conselho editorial. Para ele desde que a Medusa surgiu, por algum motivo acabou forçando as demais a se reformularem, inclusive editorialmente. Parte desse sucesso está no encontro do leitor com uma publicação voltada exclusivamente à criação artística.
A relação com a cultura está muito na coisa de consumo. Caímos na atitute consumista e passiva, critica Rodrigo. Medusa ele diz se preocupa com os textos criativos, com obras de arte; é uma revista que incentiva maior participação de quem lê. O leitor é convidado a usar sua criatividade, sua imaginação, sua capacidade de linguagem para interagir. Essa é a diferença.
Pelas suas páginas passaram dezenas de escritores, poetas, cronistas. Aberta aos escritores ela basicamente mostra a vitalidade da produção de agora. E é muita, assegura Ricardo Corona. Porém, ele deixa claro a aberta aos diálogos com o passado, com aquilo que nos interessa.


