Quem disse que os poetas são notívagos atormentando a madrugada? Um grupo de poetas, músicos, artistas plásticos, designers e todos aqueles interessados em arte estarão hoje, a partir das 20h30, comemorando os dois anos da revista Medusa, publicação bimensal editada em Curitiba pelo poeta Ricardo Corona e pela artista plástica Eliana Borges, voltada às artes, especialmente literatura. O evento acontecerá na Arcádia – Espaço Cultural e Livraria (Rua 13 de Maio, 611, esquina com a Rua Mateus Leme, em Curitiba).
A confluência das várias linguagens artísticas estará representada no cenário de Eliana Borges, onde poetas declamarão seus textos, como o paulistano Marcelo Montenegro e Dennis Raduz, de Joinville (SC). Rodrigo Garcia Lopes e Corona dividirão a performance com o Grupo Fato, que fará uma espécie de ‘‘cama sonora’’ para as palavras. Em outros momentos acontecerá um diálogo entre a literatura e a música, conforme a tecladista Grace Torres:
– A gente acompanha a intenção da interpretação do poeta, cresce, recua com ele. Talvez façamos alguma coisa com Alice Ruiz e Ademir Assunção, que está vindo de São Paulo para o evento.
A festa – marcada ainda pelo lançamento do Medusário, edição especial da revista – reflete a própria Medusa que, segundo Corona, surgiu para ser um veículo ‘‘que juntasse pessoas criativas e fosse uma espécie de movimentação’’. Outro bom motivo a ser comemorado é a aprovação pela Lei Rouanet do projeto cultural que viabilizará sua continuidade. ‘‘Estamos procurando patrocinadores’’, diz o editor.
O incentivo financeiro possibilitará a edição de mais 12 números – ou dois anos de periodicidade – encontrados nas livrarias de todo o País. Como atrativo aos empresários, Corona argumenta que a publicação goza de grande prestígio pela sua qualidade editorial e, por ser bimensal, o marketing cultural praticamente será contínuo. ‘‘A marca do patrocinador estará reproduzida em todos os números da Medusa nesses dois anos’’, observa.
Os dois primeiros números de Medusa tiveram distribuição local, mas já no terceiro passou a contar com o apoio da editora Iluminuras, e ganhou o Brasil. ‘‘Seu crescimento histórico é bem interessante. A revista não é um golpe publicitário, nem é uma coisa que nasceu do nada e se vira com um logotipo’’, analisa Corona.
‘‘Ela deslocou a tradicional discussão das revistas literárias do eixo’’, acrescenta o poeta Rodrigo Garcia Lopes, membro do conselho editorial. Para ele ‘‘desde que a Medusa surgiu, por algum motivo’’ acabou forçando as demais a se reformularem, inclusive editorialmente. Parte desse sucesso está no encontro do leitor com uma publicação voltada exclusivamente à criação artística.
‘‘A relação com a cultura está muito na coisa de consumo. Caímos na atitute consumista e passiva’’, critica Rodrigo. ‘‘Medusa – ele diz – se preocupa com os textos criativos, com obras de arte; é uma revista que incentiva maior participação de quem lê. O leitor é convidado a usar sua criatividade, sua imaginação, sua capacidade de linguagem para interagir. Essa é a diferença’’.
Pelas suas páginas passaram dezenas de escritores, poetas, cronistas. Aberta aos escritores ela ‘‘basicamente mostra a vitalidade da produção de agora. E é muita’’, assegura Ricardo Corona. Porém, ele deixa claro a aberta aos ‘‘diálogos com o passado, com aquilo que nos interessa’’.

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