Rodado inteiramente na Catalunha, com elenco inglês (que fala somente inglês, por exigência deste esforço multinacional de produção) e diretor de Barcelona, com orçamento generoso de 12 milhões de dólares, ''A Sétima Vítima'' é uma típica história sobre as desventuras de uma família dos Estados Unidos que decide morar numa velha e ampla casa que esteve abandonada por quarenta anos.
O problema deste falido experimento de horror que estréia hoje em parte do circuito nacional (confira a programação de cinema na página 2) não é somente que seja apelativo de uma fórmula tão transitada como esta, a de um grupo familiar de classe média encerrado numa casa com fantasmas. O mal maior é que o roteiro do diretor Jaume Balagueró apela mais além em direção a inumeráveis e previsíveis elementos sobrenaturais que terminam por se auto-anular como potenciais causadores de medo. Há desde um garoto que vê fantasmas até seitas que raptam crianças, passando por estigmas que aparecem nos corpos, visões e alucinações diversas, culminando com um eclipse iminente que pode levar à tragédia (ainda maior?).
O catalão até que se mostra capaz de construir climas sugestivos, especialmente com a presença de água e de sombras, e também de administrar conflitos psicológicos. Mas sua narrativa carece de solidez e de consistência dramática. Assim, com o andamento da trama, o espectador vai se sentindo mais e mais distanciado e menos comprometido com as penúrias do casal desgastado (Lena Olin e Iain Glen), da filha adolescente e rebelde (Anna Paquin) e do filho de nove anos (Stephan Enquist), candidato à sétima vítima do título.
A interessante construção visual do filme e a aplicação do elenco (à exceção de uma atuação over do veterano Giancarlo Giannini) surgem afinal como aspectos atenuantes deste filme que, embora não vá decepcionar inteiramente os seguidores do fantástico, do terror e do thriller psicológico, com certeza não causará maior impressão como exemplo a ser recordado.(C.E.L.J.)

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