MEDITAÇÃO - Viagem para dentro de si mesmo
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Apenas observe. Sua respiração, seu corpo, seus pensamentos, seu entorno. Este simples princípio pode ser o pontapé inicial à prática de uma atividade milenar oriental: a meditação. Mas calma, isso não é o que você imagina. Sabe aquelas cenas estigmatizadas de monges e monjas sentados com as mãos em prece? Também são verdadeiras. A questão posta em xeque é que, cada vez mais, o tempo parece escorrer pelos dedos, e a necessidade de uma pausa para encontrar-se consigo mesmo faz-se urgente. Sendo assim, não é regra ir a um mosteiro e raspar a cabeça. A meditação está muito mais próxima de seu cotidiano do que você possa supor. Embora, na sua origem, a prática esteja relacionada à ilminação do espírito, representada pela flor de lótus (foto), símbolo da pureza e da ressurreição, já que nasce na lama e se abre quando atinge a superfície.
®MDNM¯®MDBO¯®MDNM¯ Hoje, para se ter uma idéia, pode ser considerado meditação o livre exercício de uma dança, pintura, caligrafia, atividades físicas e até mesmo a pausa durante o almoço, desde de que sejam permeados de atenção plena. Alguns exemplos? Quais são seus pensamentos enquanto escova os dentes ou segue rumo ao trabalho? Ou lava a louça acumulada na pia? Na maioria dos casos, a cabeça já está se ocupando da lista de compras, contas a pagar e até mesmo martelando fatos que já passaram.
Centenas de estudos já foram publicados comprovando as respostas físicas ao estado alterado de consciência, entre elas, queda da atividade do sistema nervoso simpático, o metabolismo fica mais lento, o fluxo sanguíneo decresce, as endorfinas são liberadas. Todas essa mudanças fisiológicas proporcionam a redução da hipertensão, dores, enxaquecas, depressão, fobias e outros incômodos típicos da geração atual.
Atualmente existem diversas linhas ou técnicas de meditação; encontre a sua e boa viagem rumo a seu encontro.
Para Haruko Morioka, a afinidade com a meditação teve início há cerca de onze anos. Na época, quando lecionava Metodologia da Educação Física na Universidade Estadual de Londrina (UEL), uma de suas alunas emprestou um livro sobre zen-budismo, fator decisivo para que despertasse interesse pelo tema. Fui católica por bastante tempo, mas a partir dessa leitura algo me tocou. Além disso, percebi que muitas coisas já faziam parte da cultura japonesa e eu não sabia de sua origem no zen-budismo, comentou Haruko. Desde então, sua busca tornou-se incessante com muitas leituras e a iniciação na prática Zazen. Como ainda não existia essa linha por aqui fui até o mosteiro Morro da Vargem, no Espírito Santo. Desde 2000 já existe a prática de zazen no Templo Busshinji Dokozan de Rolândia, onde pratico atualmente, acrescentou.
Haruko ressalta que Zazen não é, de modo algum, concentração mental, mas um treinamento em que não se lida intencionalmente com o pensamento e, como resultado, porporciona uma descontração de si mesmo.
Transmitido por Bodidharma 28º patriarca do budismo , da Índia para a China, Zazen é considerada a principal prática do zen-budismo.
De acordo com ela, trata-se de uma prática em que você encara a si mesmo. Pessoas que nunca tiveram esse tipo de atividade começam até a dar risada, com vergonha de se encarar. Realmente é um momento em que você fica a sós consigo e tem que sustentar isso, disse.
Com a chegada do novo milênio, o boom referente às questões espirituais se alastrou mundo afora, e o mercado está repleto de pequenos milagres para o aumento do poder pessoal, técnicas para atingir o nirvana, e por aí segue a lista de promessas. Muitas pessoas tem o fetiche com o zazen na expectativa de atingir a iluminação ou alguma coisa além do normal, mas isso é outro mito que os mestres alertam para não ter como objetivo. Pode acontecer como resultado da prática, contudo o propósito é sentar e observar sua respiração. Cada um dentro do seu ritmo, ressaltou Haruko, ordenada como praticante leiga de Zazen.
E já que a espinha dorsal da meditação é a espiritualidade, todas as pessoas estão aptas a meditar, independente de doutrinas. Hoje é comum padres e freiras, que são católicos, praticarem o zazen. Essas ações inter-religiosas estão cada vez mais frequentes no mundo, onde as religiões se respeitam eu acho isso muito bom, disse.
Haruko acrescenta que os mestres recomendam a prática do zazen em grupo e sob a orientação de um monge ou monja. É possível praticar sozinha, mas são algumas sugestões que fortalecem a prática e também para orientar sua realização correta.(LO)


