A criação da Sociedade Latino-Americana de Medicina de Viajantes (Slamvi), em dezembro, e a recente notícia de que o médico Drauzio Varella contraiu febre amarela numa viagem à Amazônia põem na berlinda um cuidado que muito adulto tem apenas com as crianças. Estar com as vacinas atualizadas e se informar sobre os riscos de doenças deveria ser a primeira providência a ser tomada ao se montar o roteiro de viagem.
Segundo o representante da Slamvi no Brasil, Jessé Reis Alves, médico do Núcleo de Medicina de Viajantes do Instituto de Infectologia do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, é importante procurar um especialista cerca de 30 dias antes do embarque: ''Para terem eficácia, algumas vacinas precisam ser tomadas com antecedência. A da hepatite A, por exemplo, deve ser aplicada 20 dias antes da chegada ao destino e a da febre amarela, dez dias.
Alves explica que, por se tratar de uma especialidade nova, a medicina do viajante é praticada em poucos estados. Atualmente, há serviços públicos apenas no Rio, em São Paulo e em Pernambuco. ''Para as pessoas que não sabem onde encontrar um especialista, o mais indicado é procurar um clínico geral ou um infectologista'', orienta Alves, informando que orientações resumidas podem ser obtidas pelo e-mail [email protected].
''Ao procurar o médico, o viajante deve apresentar a data e um roteiro da viagem, além de um histórico de saúde e de vacinação. É muito comum que adultos não tenham mais seus cartões de vacina. Tentamos recuperar algumas informações, mas, na dúvida, o melhor a fazer é tomar os imunizantes.''
Pioneiro na prestação de atendimento a viajantes, o Centro de Informação em Saúde para Viajantes (Cives), da UFRJ, oferece orientação gratuitamente para quem vai fazer turismo ou trabalhar. O médico Fernando Martins, coordenador do serviço que funciona desde março de 1997, observa que os brasileiros ainda não se habituaram às consultas pré-viagem.
''Estrangeiros no Brasil nos procuram bastante. Além disso, funcionários de empresas que estão expandindo seus negócios para fora do país ou para o interior compõem 60% dos nossos pacientes. O turista ainda não se acostumou a se consultar'', diz Martins, enfatizando que a medicina de viagem não cuida apenas de vacinas. ''Há uma série de doenças, entre elas a trombose venosa, que podem ser evitadas.''
Segundo Jessé Alves, o exemplo da malária é o mais claro. Como atualmente não existe vacina para essa doença tropical, em alguns casos (alguns, ele frisa), pode ser prescrito um medicamento profilático. Para os especialistas, a ampliação da área de abrangência da febre amarela, outra doença tropical que pode se tornar muito grave se não for diagnosticada a tempo, pega muitos viajantes desprevenidos. ''Quem imagina que Foz do Iguaçu é uma área de transmissão? Minas Gerais teve 58 óbitos registrados em 2003'', destaca Fernando Martins.

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