Em férias no Brasil, um jornalista americano está passando o réveillon numa cidade litorânea quando é assaltado por um adolescente, típico menino de rua. Por sorte logo adiante ele encontra alguns policiais que acabam prendendo o rapaz. Ainda no impacto dos acontecimentos, o turista afasta-se do local quando ouve tiros. Volta correndo e depara-se com o assaltante morto e uma arma na mão.
Começa assim, com violência e sangue, o drama do jornalista que estará sendo relatado no filme ‘‘Imagens Distorcidas’’, de Calixto José Hakim. Há quatro anos morando nos Estados Unidos, onde foi estudar cinema, Hakim prepara-se para rodar o média-metragem em Caiobá, Matinhos e Praia de Leste.
O início das filmagens está marcado para hoje. A produção tem dez dias para realizar o trabalho. ‘‘Só espero que não chova’’, torce o diretor. Para defender o papel do turista ele convidou o ator americano Jay Philip Lester.
Contracenando com Lester estará o paranaense Herson Capri. Embora afável, ele é um homem misterioso que está num restaurante e passa a ouvir a história de um jornalista ainda perplexo e angustiado com o que aconteceu horas atrás.
O filme é todo em ‘‘flash back’’ - à medida que se dá o relato do americano, aparecem as cenas, entrecortadas com o almoço que está sendo servido num restaurante. O enredo não se esgota nesse desabafo no primeiro dia do ano, numa fictícia cidade brasileira.
Naturalmente haverá desdobramentos de novas ações, porque o cidadão vivido por Herson Capri não está ali meramente ao acaso. ‘‘Imagens Distorcidas’’ será todo falado em inglês, por uma questão mercadológica. Calixto José Hakim planeja inscrevê-lo em festivais internacionais de cinema.
Mais espaçoO mercado para filmes de médias e curtas-metragens tem crescido bastante, especialmente no exterior, diz o cineasta. Os canais de televisão a cabo estão abrindo espaço não só para eles, como também para as produções alternativas. Quentin Tarantino, autor de ‘‘Pulp Fiction’’, foi um dos desbravadores desta nova modalidade que começa a chegar às telas americanas.
De olho no festival de Sundence - deu-se bem ali, é só esperar o telefone tocar com propostas de produtores - Hakim vai levar seu filme aos Estados Unidos para a pós-produção.
Formado em cinema pelo Art Center College of Design, em Pasadena, Califórnia, o cineasta atuou como diretor, produtor e coordenador de produção em diversos curtas naquele país. Nos planos do jovem cineasta está rodar um longa-metragem. Para quem deixou o segundo ano de Medicina em Curitiba, e foi tentar a incerta luta no campo artístico americano, tudo é uma questão de tempo e oportunidade. Determinação e coragem ele tem.

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