Me Tarzan, you Jane
Ademir Fernandes
Agência Estado
Arquivo FolhaElmo Lincoln, o primeiro Tarzan do cinema, com o leão da MetroNo dia 27 de janeiro de 1918, o Broadway Theatre de Nova York apresentava ao público a versão cinematográfica de Tarzan, personagem das histórias em quadrinhos criado por Edgar Rice Burroughs. O título do filme era o mesmo da história publicada pela primeira vez no All Story Magazine, em 1912: Tarzan of the Apes (Tarzan, o Homem-Macaco), que teve várias versões nos anos seguintes. O brutamontes Elmo Lincoln foi escolhido para o papel do herói, ainda nos tempos do cinema mudo. Com 49 filmes, Tarzan é o herói mais filmado de todos os tempos e ainda hoje tem milhões de fãs espalhados pelo mundo.
Dezessete atores viveram Tarzan nas telas. As histórias escritas por Burroughs (1875-1950) foram traduzidas para 31 línguas e registram uma média de 60 milhões de cópias, além de um número incalculável de leitores. De todos os atores que fizeram o papel do homem-macaco, o de maior sucesso foi o campeão olímpico de natação Johnny Weissmuller (1904-1984), dono de 67 recordes em nado livre. A capa do vídeo Tarzan, o Homem-Macaco, versão de 1932, informa que que ele foi o primeiro Tarzan. Mas Weissmuller foi o sexto e fez 13 filmes até ceder o lugar para Lex Barker, em 1949.
Arquivo FolhaChristopher Lambert e Andie Mcdowell, em Greystoke - A Lenda de Tarzan, o Rei das Selvas
Há certas diferenças entre o original de Burroughs e as versões cinematográficas. Nas histórias em quadrinhos, Tarzan é o filho de um casal de nobres ingleses que é forçado a desembarcar na costa africana por causa de um motim no navio em que viajavam. A mãe, grávida, é atacada por um gorila e dá à luz prematuramente um menino.
O casal morre e o bebê é adotado pela macaca Kala. Aos 15 anos, torna-se o rei dos macacos. Um tenente francês chefia uma expedição à região e leva Jane e seu primo Clayton. O tenente passa a dar aulas de civilização e inglês ao garoto e o leva a Paris, além de transformá-lo em lorde. Já crescido, Tarzan apaixona-se por Jane, que então está para se casar com Clayton em Baltimore. Ele viaja a tempo de impedir o casamento e fica com Jane.
No primeiro filme falado, estrelado por Weissmuller, suas origens não são contadas, nem sua condição de lorde, e dos três outros personagens da história original só fica Jane, interpretada por Maureen O Sullivan (mãe da atriz Mia Farrow). O público pôde ouvir pela primeira vez os urros dos leões, os gritos da macaca Chita e os ruídos assustadores da selva - além, é claro, do famoso berro do herói para chamar os animais, em especial seu amigo Tantor, o elefante. Os diálogos entre ele e a heroína eram escassos - o papo começou com Tarzan, Jane, e não Me Tarzan, you Jane - e certas cenas eram ousadas para os padrões da época.
Arquivo FolhaJohnny Weismuller, em Tarzan, o Homem Macaco
O Rei da Tijuca Hoje, tantos anos depois, os filmes ficaram ingênuos, mas ainda assim são vistos com prazer e boas doses de nostalgia por muitos fãs de Tarzan que, quem diria, quase acabou no Irajá, como Greta Garbo. Passou perto: numa versão dos anos 80, a selva de Tarzan - interpretado por Mike Henry - era a Floresta da Tijuca e a missão do herói era salvar um cientista atacado por índios na avenida Rio Branco.
Bem antes disso, e ainda no Brasil, o pesquisador Michel do Espírito Santo e o cineasta David Neves fizeram um curta de dez minutos em homenagem a Tarzan, premiado num festival na Espanha. Também há um Tarzan chinês, de 1939, interpretado por Peng Fei, mas não autorizado.
Se Tarzan acabou na Tijuca, seu intérprete de maior sucesso, Johnny Weissmuller, terminou numa triste situação, internado por problemas mentais. Em seus últimos anos de vida, repetia o famoso grito do herói em Acapulco, no México, em troca de minguados dólares dados pelos turistas. Weissmuller morreu em 1984, aos 79 anos.





