Mazza na academia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de novembro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Arquivo pessoalLuiz Geraldo Mazza não esconde de ninguém: o jornalismo é uma de suas grandes paixõesComo todos os dias a coluna de Luiz Geraldo Mazza estará estampada na edição de amanhã da Folha, na página 2 do primeiro caderno. Tudo normal para o leitor. Porém, para o colunista, o dia ainda estará sob os ecos das emoções de hoje - ao entardecer ele será empossado na cadeira número 20 da Academia Paranaense de Letras. A mesma cujo último ocupante foi o jornalista Samuel Guimarães da Costa.
Arquivo pessoalCom Algaci Tulio e Roberto Requião, na festa dos 35 anos de jornalismo: intelectual independente, ele não cultiva inimigosMazza não estará sozinho nesta aventura. O também jornalista e empresário Francisco da Cunha Pereira, será entronizado na cadeira número 18, a mesma que pertenceu ao desembargador Manoel de Lacerda Pinto, político, poeta e professor.
A solenidade está marcada para as 18 horas. Dia claro, como diriam os antigos, nesta época de horário de verão. A popularidade dos dois novos membros fez com que a Academia providenciasse um auditório espaçoso, à altura para receber os convivas. Será no Centro de Convenções de Curitiba.
Arquivo pessoalDurante uma entrevista: as tarefas mais simples da vida de jornalista sempre foram cumpridas com paixãoAli, naquele mesmo prédio que foi o imponente Cine Vitória e onde, um dia, Anthony Perkins, Carl Malden e Vivian Leigh (ainda mulher de Tony Curtis) deixaram suas mãos impressas no cimento, como no Teatro Chinês, em Hollywood - episódio que tanto marcou o imaginário de Mazza. Testemunha de tantos acontecimentos, não estava ali na hora em que as mãos, ingenuamente, tentavam deixar pistas para a eternidade. Onde estarão hoje suas sombras?
Passaram-se os anos, o Cine Vitória deu lugar ao Centro de Convenções e o Mazza adentra por suas portas como um dos personagens principais da noite. Não é a primeira vez que tem seu coração posto à prova. Tantos outros acontecimentos, como o inesquecível Baile do Mazza no Clube Concórdia, e a entrega do título de Cidadão Honorário de Curitiba, logo em seguida, dentro das comemorações dos 35 anos de jornalismo, em 1985. Tudo chegou a ele como presente dos amigos.
Arquivo pessoalAlém de mestre no texto, Mazza também é mestre na arte da oratória e costuma falar de improvisoDois dias antes da posse na Academia Paranaense de Letras, o novo acadêmico ainda não sabia direito se levaria um discurso pronto, ou falaria de improviso, que é uma de suas características mais marcantes. Talvez faça um texto breve, e depois entre no improviso. Às vésperas de mais uma homenagem, a inquietação do momento.
Arquivo FolhaNa redação da Folha, em Curitiba, onde escreve a coluna diária lida por milhares de leitoresEm tudo, porém, há um pouco de resgate. Se no calor da juventude deixou de participar da formatura de Direito, a vida vingou-se trazendo-lhe outras festas. A gente se emociona muito, confessa.


