Max de Castro faz show e depois 'fecha para balanço'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de novembro de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Dois discos lançados, referência de boa música no Brasil e exterior e uma boa crítica na revista americana Times, ao lado de figuras já conhecidas como Shakira e Bjork. Os últimos três anos, mesmo tempo de carreira solo de Max de Castro, podem deixar o seu público ansioso, questionando sobre o que há por vir depois de tanto furor. Mas o músico carioca criado em São Paulo avisa que não tem amarras com o sucesso que conquistou desde que lançou o primero disco, em 2000. Depois de comemorar seu aniversário hoje, em única apresentação em Curitiba, ele encerra a temporada de shows que reúne o repertório de ''Samba Raro'' e ''Orchestra Klaxon'' (2002), para se dedicar ao planejamento de um novo CD, ou melhor, um novo projeto.
Em entrevista à Folha, por telefone, Max de Castro confessou estar cansado da burocracia que virou a carreira de músico no Brasil. ''Quero sair desse esquema automático de lançar um disco e fazer turnê. Quero pensar em outros projetos, tocar com outros músicos e fazer coisas novas'', pretende. Depois do show de hoje, dentro do programa Trama ao Vivo, e de uma última apresentação na Argentina, em dezembro, o músico vai ''fechar para balanço'' até agosto de 2004, quando prevê lançar o próximo disco, ainda sem título. ''Esse tempo parado vai servir para definir o que será o próximo CD'', diz.
O músico adianta que quer manter algumas parcerias já iniciadas e bem-sucedidas, como com Erasmo Carlos, Marcelo Yuka e Nelson Motta, que aparecem no segundo CD. ''Um terceiro disco consome um tipo diferente de correria, no primeiro você não tem referência e quer fazer tudo, no segundo as pessoas já te conhecem, mas só agora eu começo a saber quem sou e o que quero fazer. Mesmo assim eu ainda me considero um artista iniciante'', analisa.
Apesar do seu trabalho ter sido ressaltado apenas com o lançamento de ''Samba Raro'', pela gravadora Trama, Castro começou a se interessar por música cedo, influenciado pelo pai, Wilson Simonal, e acompanhado pelo irmão Wilson Simoninha. Em 1992 formou a banda Confraria, ao lado de Daniel Carlomagno e Pedro Mariano. Já no seu primeiro disco solo, ele assumiu a produção e os arranjos. Também compôs e tocou as músicas, que apresentavam então uma moderna batida eletrônica aliada ao samba e à Bossa Nova.
No segundo disco, ''Orchestra Klaxon'', Castro convocou outros nomes como parceiros da empreitada. Além dos já citados Erasmo Carlos e Yuka, aparecem figuras como Fred 04, Paula Lima, Seu Jorge, J.T. Meirelles, Wilson das Neves, Drumagik, Patricia Marx, Segio Barroso e Maestro Sergio Carvalho. O nome dos disco é uma alusão à revista literária criada pelos modernistas em 1922.
Em paralelo à turnê que realizou pelo Brasil para divulgar o seu trabalho, o músico participou de algumas propostas paralelas. Em 2001, por exemplo, produziu quatro faixas para o disco ''Vírus'' do grupo de rap paulista Camorra. Este ano participou de um projeto em Belo Horizonte, em Minas Gerais, tocando com músicos locais. ''É mais ou menos isso que quero fazer agora, gravar o meu disco, mas manter contato com outras bandas, com outros músicos. Esse intercâmbio era mais forte antigamente e agora está se perdendo, só que é fundamental no processo de criação'', argumenta.
No show em Curitiba, Max de Castro (voz e guitarra) será acompanhado por Tuto Ferraz (bateria), Robinho (baixo), Marcelo Maita (piano), Marcos Xuxa Levy (teclados), Fred Prince (percussão) e Eugênio Lima (pick-ups).
Serviço:
- Show com Max de Castro hoje (DIA 14), a partir das 22 horas, no Cine Espaço Cultural (av. João Gualberto, 81). Ingressos a R$ 12 e R$ 15. Informações pelo telefone (0xx41) 3024 8081.


