Após longo silêncio, Jorge Mautner volta menos ferino que nunca em ‘‘Estilhaços de Paixão’’. Incomumente, substitui os discursos enlouquecidos de sempre por temas que não parecem combinar muito com sua persona, como na ‘‘homenagem à imprensa’’ de ‘‘Samba da Gillete’’.
Também a voz reaparece cansada, vincando a fluência que sua obra ostentava. Mas estranhamento maior causa a ausência parcial de sua maior marca: o violino, diluído em arranjos amadorísticos que abusam de uma latinidade alienígena à obra do autor.
Assim, é quando o violino vence os tempos de rumba, lambada e jazz latino que o disco cresce - exemplos são ‘‘Olhos de Raposa’’ e ‘‘Samba da Gillete’’. O mesmo ocorre nas versões limpas do barroquismo latino, como ‘‘Olhar Bestial’’, só de voz e violão, e ‘‘Quando a Tarde Vem’’, bossa nova de
letra delirante à moda de Mautner. (P.A.S.)

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