Maurício
Mattar, dos
pés à cabeça
Arquivo FolhaMaurício Mattar: ‘‘A carreira de ator ficou em segundo plano’’O ex-galã de
novelas e agora
cantor sobe
ao palco do
programa de
estréia de Rayol
A ala feminina que compareceu à gravação do programa ‘‘Noite de Gala’’, no Teatro Ópera de Arame, se eletrizou com a entrada em cena do cantor e compositor Maurício Mattar. Ex-galã de novelas, o moço tem os estúdios de TV como cenário do passado. Mês que vem ou no começo de agosto lança seu quarto disco e, definitivamente, a música é a sua vida.
O CD que está vindo aí tem um diferencial - os sintetizadores que se somavam aos músicos, foram trocados por naipes de cordas e metais, além de um andamento mais adiantado. ‘‘As músicas são mais pop, os arranjos mais sofisticados no sentido de timbragem’’, anunciou Mattar.
A volta dos músicos aos estúdios, depois do êxodo ocorrido nos anos 80 forçados pela tecnologia, seria uma tendência? ‘‘Não é bem uma tendência, mas uma necessidade’’, respondeu o cantor. ‘‘Acho que a timbragem fica melhor, as pessoas curtem mais do que aquela pasta sonora, igual em todos os discos. Tem que ter a mão dos músicos.’’
Ainda é cedo para Maurício Mattar saber qual das composições fará a linha de frente do novo disco, nem sabe se colocará título no disco que não seja o seu nome, a exemplo dos anteriores. Uma coisa é certa - a vida de ator televisivo passou. Ele é essencialmente músico.
Passou a fase de ter que provar que a mudança era sincera e definitiva. Enfim, deixava os cenários das novelas para enfrentar os microfones. ‘‘A cada música, cada novo lançamento, a cada show, a cada programa de televisão, a cada colocação e postura do meu próprio comportamento vou provando e comprovando minha opção’’, afirmou.
A cada final de semana o cantor faz em média quatro shows nos mais diversos recantos do País. O começo não foi assim. Profissionalmente Mattar fez seu segundo show em Foz do Iguaçu. De volta para o Rio tinha Curitiba, com duas apresentações no Aeroanta. Foi realizada a primeira e cancelada a segunda por falta de público.
Hoje a solidez está presente. ‘‘Essa poeira da estrada vai te dando cancha, experiência, uma segurança maior, inclusive com a própria gravadora. Estou fazendo meu trabalho de tijolo em tijolo, aos pouquinhos, provando e comprovando de uma forma consciente, sempre atento, me inteirando das coisas.’’
‘‘A carreira de ator ficou em segundo plano, porque antes de ser ator eu era músico, compositor, violonista e cantava minhas músicas’’, disse Maurício Mattar. ‘‘A carreira de ator é uma delícia, mas somente uma delícia. Não é o máximo como a carreira de cantor. Eu me completo num todo porque quando canto sou eu mesmo, não estou representando outra vida. Estou vivendo a minha própria.’’
Para o artista, é mais gratificante ao público conhecê-lo como ser humano que como personagem. Embutido numa pessoa que não é, as palavras e até o caráter são outros. Tudo falso, nada verdadeiro. Sem modéstia aposta que ‘‘o ser humano Maurício Mattar é muito melhor do que qualquer personagem já feito. E no momento em que estou no palco cantando sou eu por inteiro, dos pés à cabeça. É muito mais gratificante para mim numa relação de vida, de passagem de vida’’.
(Z.C.L.)

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