Olá amigo leitor, meu fOcO hoje concentra-se no estigma do envelhecer; no
preconceito que nossa sociedade infelizmente ainda alimenta sobre pessoas acima
dos 60 anos ou com pessoas que estão chegando a essa faixa etária.

Não sei se você sabe, mas a Organização das Nações Unidas (ONU) divide os idosos
em três categorias diferentes da nossa: os pré-idosos (entre 55 e 64 anos), idosos
jovens (entre 65 e 79 anos - ou entre 60 e 69 para quem vive na Ásia e na região
do Pacífico) e os idosos de idade avançada (com mais de 75 ou 80 anos). Estes,
com mais de 80 anos, são e me parece que continuarão sendo, na sua maior parte
e por algum tempo ainda, do sexo feminino.
Por conta da elevação da expectativa de vida mundial, muitos países convivem hoje
com idosos de diversas gerações e que possuem necessidades variadas, passando
a exigir, com isso, políticas assistenciais diferentes e regionalizadas, que tenham
por finalidade compreender as diferentes formas de envelhecimento e orientar a
população e a administração pública com medidas eficazes no mais amplo dos
sentidos
Assim, refletir sobre o idoso é pensarmos o preconceito em relação às pessoas da
terceira idade; é analisarmos o sentimento que alimentamos pelos mais velhos, de
forma determinada e corajosa, sem tapar o sol com a peneira. É, também,
repensarmos aquela figura de um ser caquético e curvado com bengala utilizada em
ambientes públicos ou privados para nos indicar que ali oferecem algum tipo de
serviço, atendimento prioritário/exclusivo ou vaga de estacionamento para a terceira
idade.
Aliás, não é a primeira vez que menciono isso; mas acho um horror e fico sempre
inconformado todas as vezes que me deparo com uma dessas. Não poderíamos
utilizar um rosto de uma vovó feliz para indicar isso? Ou uma imagem de um bonito
casal na 3 idade? Será que ninguém pensou nisso ainda? Você já pensou?
Isso tudo nos demonstra que repensarmos a velhice trata-se de tarefa importante,
árdua e ainda para poucos, lamentavelmente. Demonstra ainda que de forma geral
o poder público e as instituições privadas continuam tratando do assunto com um
certo desdém, sem um planejamento eficiente, sem destinamento de verbas
comprometidas com este seguimento e sem um olhar para o futuro do Brasil que,
em pouco tempo, entrará no ranking de países com expressiva população idosa;
fator esse que exigirá estrutura séria para atender a essa demanda em todos os
aspectos.
Está mais do que na hora de fomentarmos movimentos reais que objetivem
caminharmos no alinhamento de políticas e serviços comprometidos com essa
realidade que já começa a ''bater em nossas portas''. E nesse sentido, você já está
fazendo a sua parte?
Retomando o estigma da velhice, existe um adesivo de carro muito interessante
Será que você já viu? Ele tem uma frase forte, irônica, e de notável inteligência. Diz
o seguinte: ''Velho é o seu preconceito!'' E não é verdade? Existe coisa mais fora de
propósito? Mais mofada do que o preconceito ao idoso ou à velhice?
Como seres pensantes e dotados de uma capacidade de raciocínio, que é impar da
nossa espécie, deveriamos aproveitar dos mais velhos a experiência e a sabedoria
de vida que anos de luta e observação os ajudaram a ter e a ser o que são na
atualidade. Que tal nos deixarmos contagiar por essa bagagem de conhecimento,
para virmos a ser, quem sabe, jovens e adultos mais interessantes e respeitáveis?
Afinal, respeitar e ouvir um idoso é respeitarmos a nós mesmos, nossa história e
nossas raízes culturais. Reflita!
Até a próxima!

Marcelo Caires - Músico/ Educador Musical e Gerontólogo -
www.marcelocaires.mus.br
Contato com essa coluna: [email protected]

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