Olá! Hoje abordo um tema multiprofissional; difícil de lidar por apresentar-se entrelaçado com várias áreas de conhecimento e práticas que vão desde a indústria cosmética e seus produtos até profissionais de inúmeros segmentos e seus equipamentos milagrosos e tecnologicamente ajustados a estética. Assim, levanto apenas algumas questões que devem ser observadas por todos aqueles que se sentem ''seduzidos'' a atender o padrão grego de beleza e perfeição áurea em que vivemos desde as descobertas pitagóricas do número de ouro e suas aplicações.
Meu fOcO centraliza-se nos produtos/promessas de rejuvenescimento rápido, indolor e mirabolante. Ora... até parece que chegamos à velhice numa condição física, mental, afetiva e social igual pra todos, não é mesmo? Como se, ao chegar a hora, entrássemos numa máquina do tempo rumo aos 60 anos e ela nos moldasse a uma forma única e incontestável de envelhecimento que pode se transformar com uma receita infalível e de resultados imediatos.
Aquela que trabalha pra garantir a sobrevida de um estigma social que nos torna escravo de estruturas de ilusão do bem estar, a partir de um modelo social de velhice leviano, impiedoso, desonesto, polêmico, impróprio pra felicidade coletiva e que nos leva a uma percepção distorcida do conceito de beleza. Uma estrutura de pensamentos e práticas que nos conduzem ainda a perceber cada vez menos nosso interior, que é a nossa maior garantia de que o tempo que conquistamos agregado das experiências vividas é o nosso mentor.
Infelizmente, quando olhamos no espelho, olhamos primeiro para o que mais nos incomoda; o lugar de que menos gostamos. Pode observar! E pena que, em regras gerais, é instintivo do ser humano enxergar primeiro o negativo, evidenciar as perdas, os erros e os defeitos em tudo e todos. E nesse sentido seria então utópico enxergarmos de dentro pra fora; e esse seria um exercício necessário de superação do instinto, pois na maioria das vezes, esquecemos de resgatar as conquistas e comemorar as vitórias... todas.
Aí é que entram os produtos com fórmulas milagrosas ou as ''máquinas de condão''; receitas mirabolantes que nos dão uma ilusão de que participando de tudo isso estaremos revertendo nossas insatisfações rumo a cumprirmos o padrão estético e comum dos ''sem identidade'': pessoas que passam a vida seguindo as grandes correntes em tudo, a dos cremes, do botox ou lazers, dos clareamentos dentários ''azulantes'', das formas das modas que as deformam ou as saturam por conter tanta informação, e assim por diante...
Assim, é importante não esquecer que tudo tem limite, ou deveria ter... não adianta uma senhora com 60 anos fazer cirurgias plásticas de destruição do que é natural, achando que vai voltar à aparência dos 20 anos. Muito menos, utilizar ''roupichas'' projetadas para corpos que gastam, no mínimo, 90 minutos diários numa academia de ginástica e que estão numa outra etapa da vida, sob condições diferenciadas dos níveis de GH e colágeno na pele, por exemplo.
Na 3 idade pode-se estar bem sem aderir a esse cultural sistema que nos propõe sermos o que não podemos ser. Sempre é preciso saber o momento de parar. Afinal, pra se ficar linda como a Maitê Proença na novela da Globo é preciso muita disciplina, rigor nas escolhas e se plantar por toda a vida para se colher os frutos na velhice, que é construída por uma trama de fatores que nos envolvem ao longo dos anos que subjetivamente desbravamos.
Aí você vai dizer... ''então faço o que, desisto só porque estou na 3 idade? Não me cuido mais?''. Minha resposta é... jamais desista! Ame-se, mas sempre com bom senso. Estabeleça limites. Não exagere. Pois parafraseando a renomada escritora Lya Luft em ''Perdas & Ganhos'', cuidado pra não se transformar tanto com mutilações desnecessárias; utilizar um exagero de recursos e ficar com uma cara ou um corpo que não é mais o seu, mas, sim, um resultado desconfigurado e destruidor da sua própria identidade. Aquela que te trouxe até aqui e que todos que te amam de verdade e acompanham a sua história conseguem detectar em cada marca ou cantinho do seu corpo as evidências de um passado construído por experiências sólidas.
Reflita!

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